Na República Dominicana, haitianos relatam momento do terremoto

Dajabón (R. Dominicana) 17 jan (EFE).

EFE |

- Haitianos que sobreviveram ao terremoto de terça-feira passada narraram hoje com nostalgia e nervosismo os momentos de terror que viveram quando foram surpreendidos pelo tremor.

Franderly Aristides, de 15 anos, um dos feridos internados no hospital público Matías Ramón Mella, na província dominicana de Dajabón (fronteiriça com o Haiti), disse que acabava de voltar do colégio para casa quando o terremoto aconteceu.

O adolescente ficou preso embaixo de uma parede de sua casa, mas foi resgatado e levado para Dajabón.

Aristides vivia junto com seus avós e um primo, que morreram no terremoto.

"Não lembro de nada. No dia seguinte despertei em um refúgio e vi que ao redor de mim havia muitas pessoas feridas, sabia que algo grande tinha acontecido, mas nunca imaginei que a terra tinha tremido", relatou o jovem.

Sua compatriota Lezgi Jean Eancia, de 27 anos, foi encontrada sob escombros dois dias depois do terremoto e foi internada ontem no hospital de Dajabón, onde os médicos a mantém sob observação por causa de um traumatismo crânio-encefálico.

Ainda com dificuldades para falar, diz que uma mão milagrosa a protegeu durante as horas que permaneceu embaixo dos escombros porque, segundo ela, só isso explica que continue viva depois do impacto que recebeu sobre seu corpo.

Rosa Carini, outra haitiana internada no hospital de Dajabón e que apresenta lesões no quadril e na perna direita, conta que chegou em casa minutos antes do terremoto.

"A primeira coisa que pensei foi que a terra estava tremendo, mas não imaginava que seria tão catastrófico, os gritos de ajuda das pessoas me impulsionaram a sair para a rua, mas já era tarde, fiquei presa", relata.

Seus familiares informaram que a levaram ao hospital público de Gonaives, no norte do Haiti, mas médicos disseram que já não havia capacidade para receber mais pacientes e que não dispunham de remédios nem equipamentos suficientes. Por isso, recomendaram que fosse para a República Dominicana.

A República Dominicana está recebendo feridos do terremoto em hospitais das cidades de Jimaní, Barahona, San Juan de la Maguana, Duvergé e Neyba, na região mais próxima à fronteira com o Haiti, assim como em vários hospitais da capital, Santo Domingo.

Os hospitais da fronteira já estão superlotados pela quantidade de haitianos que são transferidos ao país.

A situação é tal que pacientes dominicanos em Dajabón denunciaram que estão sendo retirados dos hospitais para dar lugar aos haitianos que chegam de Porto Príncipe. EFE as/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG