Na posse, Zapatero lança plano contra recessão e o ETA

O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, apresentou nesta terça-feira ao Congresso uma estratégia antiterrorista contra a organização separatista armada basca ETA e um pacote de medidas para combater a recessão, durante o discurso de posse para um novo mandato de quatro anos.

AFP |

Na intervenção de uma hora e quinze minutos, grande parte dedicada aos desafios econômicos, Zapatero pediu a confiança dos deputados, afirmando que quer representar um país "próspero, decente, eficiente, unido e diverso, que age em prol da paz, da luta contra a mudança climática e da pobreza".

Zapatero anunciou que convocará em breve o líder da oposição, Mariano Rajoy, para conversar sobre a estratégia antiterrorista e este mostrou-se disposto a apoiá-lo, se o governo não voltar a dialogar com a ETA.

Nas eleições vencidas com seu Partido Socialista Operário Espanhol, (PSOE), em 9 de março, Zapatero obteve uma confortável maioria relativa de 169 deputados sobre 350, mas não terá a maioria absoluta, devido a provável abstenção dos nacionalistas catalães e bascos.

As eleições foram marcadas pelo assassinato de um ex-vereador socialista dois dias antes da votação e que foi assumido, depois, pela ETA.

Nesta terça-feira, Zapatero começou o discurso falando de economia e admitiu que a recessão mundial chegou à Espanha.

As conseqüências da crise nos Estados Unidos e as dificuldades no setor da construção na Espanha farão "que o início desta legislatura seja menos positivo que o fim da legislatura passada", admitiu.

"Mas após este parêntese transitório, reencontraremos os níveis anteriores", assegurou o líder socialista.

Por essas questões, Zapatero apresentou um pacote de medidas a curto prazo para combater a desaceleração econômica.

As metas são aliviar as famílias, reduzir a queda observada no setor da construção civil e facilitar o acesso à moradia.

A primeira medida é a devolução de 400 euros às pessoas que pagam impostos, proposta que provocou polêmica quando foi apresentada durante a campanha eleitoral, já que não beneficia os mais pobres.

"Não sacrificaremos as nossas políticas sociais", assinalou, mantendo a promessa de aumentar as reformas e o salário mínimo, utilizando os excedentes orçamentários acumulados nestes últimos anos.

"A Espanha viverá uma fase de crescimento diferente do que vimos há quatro anos, com taxas de crescimento inferiores, mas este período é transitório", disse Zapatero, antes de afirmar que superado este momento, o país retomará as taxas de crescimento e a geração de emprego.

No entanto, segundo o líder socialista a recessão não fará com que o governo abdique das aspirações sociais, e que pretende promover uma lei de combate a qualquer tipo de discriminação.

O governo socialista não mudará a política de imigração e seguirá estimulando a via legal.

Além disso, anunciou que a América Latina ocupará uma "posição relevante" entre as prioridades do próximo governo e que deseja abrir um novo capítulo na relação com os Estados Unidos.

"Trabalhamos para consolidar lá democracia, para fortalecer a coesão social e para lutar contra a desigualdade e a pobreza nessa região".

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