nova era de cooperação - Mundo - iG" /

Na ONU, Obama anuncia entrada dos EUA em nova era de cooperação

Macarena Vidal. Nações Unidas, 23 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu hoje que o mundo se una, propôs uma nova era de cooperação contra os desafios comuns da comunidade internacional e advertiu que o seu país não é capaz de solucionar sozinho os problemas globais.

EFE |

Em seu esperado primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU como chefe de Estado americano, Obama disse que "chegou a hora de adotar uma nova era de aproximação, baseada nos interesses mútuos e no respeito mútuo". "Esta tarefa deve começar já", acrescentou.

A opção pelo multilateralismo representa uma ruptura com a política do ex-presidente George W Bush, cuja decisão de invadir o Iraque esfriou as relações entre os EUA e as Nações Unidas.

Agora, destacou Obama, os EUA buscam "uma nova era de cooperação com o mundo", que reconheça "os direitos e responsabilidades de todos" e que se basearia em quatro pilares: a não-proliferação, a busca da paz, a luta contra a mudança climática e uma economia mundial que dê oportunidade a todos.

Os EUA, disse, não podem "resolver sozinho os problemas de todo o mundo".

Em cerca de 40 minutos, Obama alternou palavras de otimismo e unidade com duras advertências a países com que os EUA mantêm divergências.

O presidente também não poupou a ONU, criticada por "frequentemente" ter sido "um fórum que tratou de dividir, em vez de buscar pontos de acordo".

"Devemos admitir que não estamos assumindo esta responsabilidade" de combater os problemas da humanidade, declarou Obama, que citou o terrorismo, os conflitos de longa duração, o genocídio e a proliferação nuclear.

"A medida de nossas ações ainda deixa muito a desejar frente à magnitude de nossos desafios", afirmou.

Ao falar dos quatro pilares de sua estratégia de cooperação, Obama se referiu à luta contra a proliferação nuclear, momento em que lançou uma dura advertência ao Irã e à Coreia do Norte, cujos programas atômicos ameaçam o mundo.

Se os dois países continuarem com suas aspirações nucleares, "terão que prestar contas", disse o presidente.

"O mundo deve permanecer unido para mostrar que o direito internacional não é uma promessa vazia e que os tratados precisam ser respeitados", acrescentou.

O governante, que ontem se reuniu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), também dedicou grande parte do seu discurso ao conflito entre israelenses e palestinos.

Além de deixar claro que os EUA "não aceitam a legitimidade" das colônias judaicas em construção ou expansão, Obama afirmou que os palestinos devem "pôr fim às provocações a Israel".

Assim como fez na terça-feira, o presidente também destacou que "chegou a hora de serem relançadas, sem condições prévias," as negociações sobre a "segurança para israelenses e palestinos, as fronteiras, os refugiados e Jerusalém".

Quanto à mudança climática, Obama afirmou que os dias em que os EUA minimizavam o problema se acabaram.

Sobre o crescimento econômico, destacou que este não será sustentável ou conjunto, a menos que todos os países assumam suas responsabilidades.

O chefe de Estado americano, que amanhã presidirá a cúpula do G20, em Pittsburgh (Pensilvânia), manifestou ainda o desejo de que a comunidade internacional consiga um acordo sobre a reforma do sistema financeiro.

Depois de Obama, quem discursou foi o líbio Muammar Kadafi, que também esteve na Assembleia pela primeira vez.

Kadafi aproveitou-se do longo discurso de Obama, que excedeu em 25 minutos o tempo permitido, para fazer uma crítica de uma hora e meia ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. EFE mv/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG