Por Louis Charbonneau NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Diplomatas de Rússia e Geórgia trocaram acusações na sexta-feira na Organização das Nações Unidas (ONU), enquanto o Conselho de Segurança se dividia a respeito dos termos em que pedir o fim dos combates na Ossétia do Sul.

O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse que a Geórgia está alvejando deliberadamente forças de paz russas na Ossétia do Sul, uma região separatista georgiana, onde os combates das últimas horas abrem a perspectiva de uma guerra.

'A situação é tão catastrófica que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha pediu um corredor humanitário', disse Churkin ao Conselho de Segurança da ONU, que fazia sua segunda reunião de emergência sobre o tema em pouco mais de 12 horas. Ele acusou os georgianos de 'limpeza étnica'.

Na Ossétia do Sul, o site oficial dos separatistas disse que blindados russos entraram na periferia norte da capital.

Moscou disse que suas tropas estão reagindo à agressão russa para retomar a Ossétia do Sul, já semi-independente desde o começo da década de 1990. O presidente pró-ocidental da Geórgia, Miheil Saakashvili, disse que os dois países estão em guerra.

O embaixador georgiano na ONU, Irakli Alasania, rejeitou as acusações de Churkin, alegando ao Conselho que seu país estava apenas se defendendo de uma agressão, pois os russos estariam bombardeando alvos civis e a infra-estrutura no território da Geórgia.

'As tropas georgianas não estão alvejando as forças de paz', disse ele. Voltando-se diretamente para Churkin, questionou: 'Vocês estão prontos para suspender os bombardeios aéreos?' Não recebeu resposta.

Alsania disse que os separatistas, apoiados pela Rússia, é que são acusados de 'limpeza étnica'. 'Exigimos que a Federação Russa pare imediatamente os bombardeios aéreos, retire imediatamente as forças ocupantes e negocie um cessar-fogo', disse ele, acrescentando que Saakashvili está disposto a manter negociações de paz diretas com os russos.

O embaixador dos EUA, Zalmay Khalilzad, reiterou a posição norte-americana de que a Rússia deveria retirar as tropas e suspender os ataques.

Churkin deixou claro que a Rússia não pretende abandonar a região. 'Historicamente, a Rússia foi e continuará sendo garantia da segurança do povo do Cáucaso.'

Na sessão de emergência na quinta-feira à noite, o Conselho não chegou a um acordo sobre como redigir o pedido de cessar-fogo. Com apoio de EUA e União Européia, os georgianos consideravam inaceitável o termo 'renunciar ao uso da força'.

Na sexta, Churkin disse a jornalistas que os cinco membros permanentes do Conselho (Rússia, China, Grã-Bretanha, França e EUA) estão perto de um acordo. A nova fórmula pede às partes que 'evitem novos atos de violência ou força.'

(Reportagem adicional de Megan Davies)

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