Chanceler brasileiro abriu 65ª Assembleia Geral das Nações Unidas; Obama ressaltou portas abertas ao governo iraniano em discurso

Primeiro a discursar na 65ª Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira que o mundo não pode correr o risco de um guerra no Irã como a iniciada pelos Estados Unidos no Iraque, e pediu que prevaleça a lógica do diálogo.

Chanceler brasileiro abriu 65ª Assembleia Geral da ONU no lugar de Lula
AP
Chanceler brasileiro abriu 65ª Assembleia Geral da ONU no lugar de Lula
"O mundo não pode correr o risco de um novo conflito como o do Iraque", disse o chanceler brasileiro ao abrir o debate anual da assembleia. "Apesar das sanções, esperamos que a lógica do diálogo e da compreensão prevaleçam", completou.

O Brasil obteve este ano com a Turquia uma solução negociada para a polêmica nuclear entre o Irã e as potências ocidentais. No entanto, a mediação não impediu a adoção de novas sanções internacionais contra o governo iraniano.

Fim do embargo

Em seu discurso, Amorim também tratou de temas latino-americanos, especialmente o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

"O Brasil reitera o seu repúdio, que é de todos os países latino-americanos e caribenhos, ao ilegítimo bloqueio a Cuba, cujo único resultado tem sido prejudicar milhões de cubanos em sua luta pelo desenvolvimento", afirmou.

Amorim também condenou o que chamou de retrocesso democrático em Honduras e estabeleceu a volta incondicional do ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, deposto em um golpe militar no ano passado, ao país como condição para a retomada "da normalização plena das relações de Honduras com o conjunto da região".

O chanceler aproveitou ainda para cobrar das potências nucleares a eliminação de seus arsenais. "Para alcançarmos um mundo verdadeiramente seguro, é preciso que seja cumprida a promessa da eliminação total das armas nucleares", defendeu.

"Cortes unilaterais são bem-vindos, mas insuficientes, sobretudo quando ocorrem em paralelo à modernização dos arsenais atômicos."

Obama

Depois de Amorim, o presidente americano, Barack Obama, disse em seu discurso que as portas da diplomacia continuam abertas para o Irã se for demonstrada uma vontade concreta de diálogo quanto ao tema nuclear.

AFP
Obama discursou na 65ª Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira
"Permitam-me falar claro uma vez mais: os Estados Unidos e a comunidade internacional estão em busca de uma solução para nossas divergências com o Irã, e a porta da diplomacia continua aberta se o Irã decidir atravessá-la", afirmou Obama na assembleia da ONU.

Ele ressaltou, no entanto, que "o governo iraniano deve demonstrar compromisso claro e concreto e confiar ao mundo a intenção pacífica de seu programa nuclear".

O presidente americano pediu ainda para líderes mundiais apoiarem os recentes esforços para as negociações de paz no Oriente Médio.

Segundo o presidente americano, o mundo tem diante de si uma grande oportunidade para dar fim a gerações de violência e instabilidade, e pediu para líderes e estadistas darem mais apoio às novas negociações, retomadas no início de setembro.

Ainda na sede da ONU, Obama declarou que o período de agonia financeira acabou e a economia global conseguiu se livrar da depressão em que estava prestes a cair.

Na presença de líderes mundiais, ele disse ainda que os EUA “se juntaram a outras nações ao redor do mundo para estimular crescimento e uma demanda renovada que poderia começar uma nova geração de empregos”.

Obama lembrou ainda que os Estados Unidos têm intensificado seus esforços para combater a violência da rede terrorista Al-Qaeda.

*Com AFP e AP

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