Na ofensiva, McCain não acerta golpe certeiro em Obama

O senador John McCain pisou o palco da Universidade Belmont, em Nashville, com a responsabilidade de desferir um golpe certeiro contra o rival democrata, o senador Barack Obama. A maior parte das pesquisas apontam que o republicano está atrás de Obama em sondagens nacionais e em enquetes realizadas em Estados decisivos para a disputa.

BBC Brasil |

Mas, a despeito da crença de que o formato do debate o favoreceria - o embate seguiu o estilo ''town hall debate'' (em tradução literal, debate na prefeitura), um jargão para debates com participação da platéia - McCain não foi capaz de intimidar o senador adversário e nem de induzi-lo a um tropeço.

O segundo debate entre os dois candidatos refletiu em parte a tensão que vem marcando os últimos dias da corrida eleitoral americana, ainda que não tenha nem de perto resvalado no mar de lama que vem marcando a atual fase da disputa.

Os dois candidatos constantemente ultrapassaram o tempo que lhes era destinado para responder às perguntas dos participantes porque aproveitavam para trocar farpas sobre seus históricos no Senado e as políticas que defendem.

Na ofensiva
O republicano partiu para o ataque contra o rival logo na segunda pergunta.

McCain acusou o democrata de ligações com a empresa Fannie Mae, uma das maiores companhias de financiamento imobiliário dos Estados Unidos que esteve no centro da atual crise financeira americana.

E Obama retrucou as constantes acusações de que ele pretende aumentar impostos, afirmando que o republicano pretende oferecer isenções fiscais para grandes empresas e até petrolíferas.

Quesito simpatia
No debate passado, McCain recebeu críticas por ter raramente olhado para seu oponente.

No embate desta terça, em ao menos uma ocasião, ele também pareceu deixar aflorar o seu desapreço pelo rival, em uma passagem que foi destacada pelas emissoras de TVs americanas.

McCain afirmou ter votado contra um projeto de lei de energia defendido pelo presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney e acrescentou: ''Adivinha quem votou a favor? Aquele ali'', indicando o rival.

No quesito simpatia, McCain também perdeu alguns pontos, ao se retirar rapidamente do auditório que abrigou a discussão, após ter cumprimentado alguns participantes.

Obama, por sua vez, reproduziu o Bill Clinton do início de carreira, permanecendo no local, juntamente com sua mulher, Michelle, por ao menos cinco minutos após o encerramento do evento, apertando mãos, trocando comentários, distribuindo sorrisos e assinando autógrafos.

Economia
A economia dominou as perguntas feitas pelos participantes. Obama aproveitou para tentar associar o atual caos econômico às posições defendidas por Bush e supostamente compartilhadas por McCain.

De acordo com o democrata, os Estados Unidos estão vivendo ''a pior crise financeira desde a Grande Depressão'' e a eleição será, na visão dele, ''o veredicto final das políticas econômicas falidas dos últimos oito anos, fortemente promovidas pelo presidente Bush e apoiadas pelo senador McCain''.

Os dois trocaram ainda farpas em temas ligados à política internacional.

"Enquanto o senador McCain atuava como torcedor do presidente, quando ele nos levava para o Iraque, ele sugeriu que (a guerra) seria rápida e fácil. Que nós seríamos saudados como libertadores. Essa foi a avaliação errada'', afirmou.

O democrata acrescentou que a guerra defendida por McCain acabou desviando as atenções do governo americano em relação ao combate à rede Al-Qaeda e ao militante Osama Bin Laden.

McCain disse que também pretende ir atrás de Bin Laden e que sabe como capturá-lo, mas acrescentou que não iria anunciar os seus golpes, como fez Obama, numa referência ao comentário do democrata de que estaria disposto a promover um ataque contra a rede Al-Qaeda em território do Paquistão.

Fala mansa
O republicano se comparou ao presidente Teddy Roosevelt, dizendo que, assim como o lendário líder americano, ele é adepto da tática de ''falar suave e carregar um porrete''.

Obama contra-atacou dizendo que ''este é um cara que cantou 'bombardeie, bombardeie o Irã' e que defendeu a aniquilação da Coréia do Norte. Eu não acho que isso seja um exemplo de se falar suavemente".

A despeito da troca de farpas, McCain não fez menções a William Ayers, o ex-ativista do grupo radical dos anos 60 Weather Underground, acusado por uma série de atentados.

Ayers foi conselheiro de uma instituição de caridade da qual Obama também participou.

Nesta semana, durante um comício, a vice de McCain, a governadora Sarah Palin, afirmou que ''nosso oponente...é alguém que vê a América como sendo tão imperfeita que ele está por aí fazendo amizade com terroristas que almejam o nosso país. Este não é um homem que vê a América como você e eu''.

Obama também não fez menção às supostas conexões de McCain com o magnata Charles Keating, que foi condenado por fraude depois do colapso do sistema de empréstimos no final dos anos 1980.

O republicano foi um dos cinco senadores - que ficaram conhecidos como os Cinco de Keating - que foram investigados por uma comissão de ética do Senado por causa de sua intervenção em favor de Keating.

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