Na mais recente reforma, Cuba elimina tetos salariais

HAVANA - Cuba está reformando seu sistema de salários a fim de criar incentivos para permitir que os trabalhadores recebam o máximo que puderem, afirmaram meios de comunicação do país comunista na quinta-feira.

Reuters |

Com essa medida, o novo presidente cubano, Raúl Castro, sinaliza mais uma vez que deseja melhorar a performance econômica do país.

Segundo a resolução nove sobre o Trabalho e a Segurança Social, e pela primeira vez em décadas, não haverá mais limites para os recebimentos auferidos por um funcionário público, afirmou o canal de TV estatal.

'Pela primeira vez, fica dito clara e precisamente que os salários não possuem limites, que o teto salarial depende da produtividade', disse o comentarista de economia Ariel Terrero.

O Estado cubano controla 90 por cento da economia da ilha e emprega a grande maioria da força de trabalho, frequentemente fixando os salários desde seus escritórios centrais, em Havana.

Cuba sempre se orgulhou de possuir uma gama limitada de faixas salariais. No entanto, alguns empregos oferecem certos benefícios e, no passado, havia funcionários que recebiam bônus.

Essa postura igualitária, porém, viu-se acusada nos últimos anos de limitar a expansão econômica da ilha.

'Um motivo para a baixa produtividade é o pequeno incentivo salarial', disse Terrero.

Segundo o comentarista, a resolução, assinada em fevereiro mas ainda não publicada no Diário Oficial de Cuba, visa quebrar o círculo vicioso.

Raúl, após suceder o irmão Fidel Castro, em fevereiro, prometeu fazer com que os salários refletissem melhor o desempenho de cada um no trabalho. A troca de dirigentes foi a primeira verificada no país em quase meio século.

O novo presidente lançou também uma grande reforma no setor agrícola a fim de criar condições para que as cooperativas estatais e privadas produzam o máximo que puderem após terem atingido as cotas oficiais.

Além dessas medidas, Raúl permitiu a venda de computadores, aparelhos de DVD, celulares e outros bens de consumo para os cubanos e autorizou qualquer morador da ilha a hospedar-se em hotéis antes reservados aos estrangeiros.

'Esse é um problema antigo (o dos salários). Não há motivos para temer que alguém ganhe muito dinheiro se isso se deve realmente a seu desempenho no trabalho', afirmou Adalberto Torres, um aposentado de Havana.

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