Na Líbia, Lula diz que futuro do Brasil está ligado ao da África

Sirte (Líbia), 1º jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, na primeira participação de um chefe de Estado brasileiro numa cúpula da União Africana (UA), que o futuro do Brasil está ligado ao da África.

EFE |

Lula também fez um apelo para que as duas partes "escrevam juntas sua história e seu futuro comum".

"É tempo de o Brasil e a África aplicarem novas regras de cooperação econômica sem a intervenção estrangeira", disse o presidente, que apontou o continente africano como uma das prioridades na política externa do Brasil.

A 13ª cúpula da UA começou nesta quarta-feira, na cidade líbia de Sirte, tendo como foco os entraves ao desenvolvimento agrícola e os conflitos que sacodem o continente. A ausência de algumas autoridades, no entanto, foi bastante notada.

O fato de os presidentes egípcio, Hosni Mubarak, e nigeriano, Umaru Yar'Adua, não terem ido ao encontro chamou a atenção porque, até sexta-feira, a UA debaterá a aceleração do projeto de Governo africano promovido pelo chefe de Estado líbio, Muammar Kadafi, ao qual os líderes ausentes apresentaram sérias reservas.

Outros convidados de Kadafi que não compareceram à cúpula foram o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, cuja presença tinha sido confirmada na terça-feira, e o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, que atribuiu sua ausência ao acidente ferroviário registrado no país na segunda-feira à noite.

Após o discurso de Lula na abertura da reunião, Kadafi pediu aos países do Caribe que se juntem à UA, já que os povos da região "são majoritariamente africanos" e podem ajudar a "reforçar a cooperação entre a África e a América Latina".

O líder líbio, que assumiu a liderança da UA após a morte do presidente gabonês, Omar Bongo, comentou alguns dos discursos feitos no começo da reunião, mas não fez nenhum pronunciamento oficial por ocasião da abertura da cúpula.

Já o presidente da Comissão da UA (órgão executivo do bloco), Jean Ping, ressaltou a persistência de alguns conflitos e das graves tensões políticas em países como Guiné-Bissau, Madagascar e Níger.

Além disso, pediu atenção especial à Somália, cujo Governo recorreu aos países vizinhos em busca de auxílio contra o avanço das milícias islâmicas.

Ping também se mostrou preocupado com a expansão das ameaças transnacionais na África, como o tráfico de drogas, o terrorismo e os sequestros, no atual contexto de crise econômica.

Aicha Rous, enviado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou que a crise econômica mundial tem um "impacto especial" sobre o continente devido ao aumento dos preços dos produtos alimentícios e da energia.

O representante da ONU também ressaltou a importância dos investimentos em agricultura como forma de garantir a segurança alimentar da população africana, tema central da cúpula.

Durante as sessões de hoje da cúpula, a UA decidiu suspender as sanções impostas à Mauritânia após o golpe de Estado do agosto do ano passado. Assim o país "poderá retomar imediatamente" suas atividades na organização, anunciou o responsável pelo Conselho de Paz e Segurança (CPS) do bloco, Ramdhan Lamamra.

Até sexta, a reunião de Sirte também tratará da transformação da Comissão da UA num órgão com maiores poderes de atuação chamado Autoridade Africana.

A composição e os poderes desse órgão, primeiro passo do projeto de Governo africano de Kadafi, ainda estão sendo debatidos e deverão ser definidos nos próximos dias.

A Comissão da UA propôs que a nova Autoridade Africana não disponha de prerrogativas supranacionais, mas a Líbia quer mais integrantes no órgão e que este tenha competência para representar os Estados-membros sem necessidade de um mandato específico. EFE fa/sc

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