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Na Líbia, Lula destaca enorme potencial de cooperação entre Brasil e África

Trípoli, 30 jun (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva que chegou hoje à Líbia para participar de uma cúpula da União Africana (UA), destacou na capital Trípoli o enorme potencial de cooperação entre o Brasil e os países africanos.

EFE |

Numa entrevista à Agência EFE, Lula disse que "há muitos anos" mantém uma boa relação com o chefe de Estado líbio, Muammar Kadafi, e que espera que este consiga visitar o Brasil por ocasião de sua primeira visita à América Latina, prevista para novembro, quando irá a Caracas para a cúpula entre a África e a América do Sul.

O brasileiro ressaltou que, em apenas cinco anos, o comércio entre Brasil e Líbia passou de US$ 32 milhões para US$ 1,7 bilhão.

Disse ainda que o potencial de cooperação entre ambos os países é "muito grande".

Segundo Lula, as principais empresas brasileiras estão construindo diversas infraestruturas na Líbia, como aeroportos, estradas e imóveis. E a venda de produtos agrícolas brasileiros "pode crescer de forma extraordinária", acrescentou.

"Nós estamos apenas começando, e acho que este início é um bom sinal. É importante que os investidores líbios visitem o Brasil e que os brasileiros venham à Líbia. Não se deve ter uma imagem congelada da Líbia dos tempos do bloqueio, mas a da Líbia de hoje, que é um país com um grande potencial de crescimento", ressaltou.

Lula disse que as relações entre os líderes políticos são o primeiro passo para que as relações comerciais e culturais entre Brasil e Líbia progridam. Destacou ainda que Kadafi e ele têm "a obrigação de reforçar" sua relação.

A respeito da cooperação com a África, o presidente brasileiro afirmou que existe um potencial extraordinário para a América Latina e que os países dos dois continentes podem adotar uma política menos protecionista que a que os países ricos aplicam aos pobres.

"Temos muitos problemas semelhantes e nossa aproximação permitirá que possamos explorar melhor as possibilidades de cada país e, portanto, aumentar a possibilidade de negócios entre nós num comércio mais justo sem o protecionismo imposto pelos países ricos aos produtos dos países pobres", afirmou.

Para o governante, a cúpula entre a América do Sul e a África servirá para "restabelecer uma proximidade e fortalecer as relações Sul-Sul", algo que classificou como "extremamente importante para todos".

Além disso, elogiou o gesto do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de pedir desculpas à África pelos séculos de escravidão e lembrou que ele fez o mesmo quando visitou o Senegal.

"É um gesto da mais alta importância, mas é preciso não só pedir desculpas. É preciso estabelecer políticas de solidariedade com investimentos em projetos de desenvolvimento a fim de reparar os males causados", ressaltou.

Naquela que será a primeira participação de um chefe de Estado brasileiro numa cúpula da UA, Lula proporá uma "aliança energética e agrícola" entre o Brasil e o continente africano.

O presidente discursará na abertura da cúpula, assim como o anfitrião do encontro, Muammar Kadafi, e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também estará presente na reunião, informou hoje a imprensa desse país.

Durante sua estada na África, o chefe de Estado brasileiro assinará três acordos com a UA para fortalecer as crescentes relações econômicas e de cooperação entre Brasil e a África, que aumentaram consideravelmente nos últimos seis anos.

Quando Lula chegou ao poder em 2003, o volume das trocas entre o Brasil e os países africanos era de aproximadamente US$ 5 bilhões.

Em 2008, o comércio entre as partes atingiu US$ 26 bilhões.

A África já ocupa o quarto lugar entre os principais parceiros comerciais do Brasil, que, com 34 embaixadas, também aumentou sua presença diplomática no continente nos últimos anos.

Amanhã mesmo, após um almoço oficial, Lula deixará a cidade de Sirte, onde acontece a cúpula, para voltar ao Brasil. EFE fa/sc

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