Na Itália, Betancourt diz que aprecia figura de Guevara

Roma, 16 dez (EFE).- A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt afirmou hoje que continua apreciando a figura de Ernesto Che Guevara, apesar de sua faceta de guerrilheiro, durante um encontro em Florença, no centro da Itália, com milhares de jovens.

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Ao responder a uma pergunta do moderador sobre a relação entre o conceito de guerrilha das Farc e a idéia de luta revolucionária de Che, Betancourt disse que o mantém "em seu coração".

"Como homem de Governo em Cuba, Che Guevara fez grandes coisas e este é o homem que aprecio, mas agora, após ver o que a guerrilha faz na selva, faço muitas perguntas sobre o Che guerrilheiro".

"Nenhum projeto vale uma vida humana e crer que a defesa de nossas vidas vale o preço da vida de alguém é um grande ato de soberba", acrescentou.

A ex-candidata à Presidência da Colômbia, libertada em julho após passar quase sete anos em poder das Farc, assistiu hoje a um seminário sobre Direitos Humanos na capital da região de Toscana, no qual participaram cerca de nove mil jovens.

Betancourt convocou então os jovens que a ouviam a "lutar contra as pressões do grupo" ao lembrar que muitos de seus seqüestradores eram crianças que "faziam coisas horríveis para não desiludir os demais".

"Entre os membros das Farc havia crianças de 11 e 12 anos que se alistavam porque necessitavam de um trabalho, mas não por motivos ideológicos. Eram tímidos e sensíveis, mas depois da instrução militar e da doutrinação perdiam sua humanidade", disse.

O encontro com os jovens serviu também a Betancourt para comentar sua relação com seus filhos, agora adolescentes, após sua libertação.

"Quando fui libertada não via a hora de subir no avião para abraçar meus filhos. Mas, as pessoas que encontrei já não eram meus pequenos, mas adultos que se pareciam com eles", comentou.

A ex-refém se encontra na Itália, onde recebeu vários prêmios em Roma e Florença e apresentou o Projeto Calamar, destinado a ajudar os adolescentes a dar uma saída à pobreza que não seja se juntar às Farc. EFE ccg/ab/rr

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