Na Indonésia, Obama critica Israel por novas construções

Em Jacarta, presidente americano se disse nostálgico por estar de volta à cidade onde viveu quatro anos de sua infância

iG São Paulo |

Na Indonésia, segundo país por onde passa em seu tour de 10 dias pela Ásia, o presidente americano, Barack Obama, criticou o plano de Israel para novas construções em Jerusalém Oriental. Em sinal de aproximação com o mundo islâmico, Obama disse, nesta quarta-feira, que as licitações para a construção de 1.300 novas casas não ajudam o processo de paz no Oriente Médio.

O presidente americano disse ainda estar preocupado por Israel e palestinos não estarem fazendo esforços o suficiente para avançar nas negociações de paz.

AFP
Obama discursa ao lado do presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono (D), em Jacarta
As críticas ocorrem um dia depois de Israel ter confirmado autorizações para as novas construções em Jerusalém Oriental e em meio à crise do processo de paz, que marca a visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos.

Em comunicado, Netanyahu rejeitou as críticas feitas pelo presidente Barack Obama. O chefe de governo de Israel disse que “Jerusalém Oriental não é um assentamento, mas sim a capital do Estado de Israel”. Segundo o jornal New York Times, o premiê acrescentou ainda que Israel “nunca concordou em limitar suas construções em Jerusalém, onde vivem 800 mil habitantes”.

Netanyahu quis deixar claro ainda que "Israel não vê conexão entre o processo de paz e os planos de construção em Jerusalém". E ressaltou que governos israelenses têm construído em Jerusalém pelos últimos 40 anos, o que não impediu Egito e Jordânia de assinarem acordos de paz com Israel. 

O responsável pelas negociações de paz do lado palestino, Saeb Erakat, reagiu furioso ao plano israelense. “O unilateralismo de Israel obriga a Comunidade Internacional ao imediato reconhecimento do Estado palestino”, disse ele.

Mundo muçulmano

Na tentativa de aproximação com o mundo islâmico, Obama discursou na capital da Indonésia e ressaltou que as tensões com o mundo muçulmano permanecem, mas os EUA estão “no caminho certo” para o entendimento com o islã.

“Quanto à mão estendida ao mundo muçulmano, nosso esforços foram sérios, sustentados. Não tenho a expectativa de que vamos eliminar completamente os mal-entendidos e a desconfiança desenvolvidos durante um longo período de tempo, mas estamos no caminho certo”, disse o presidente americano.

Também em Jacarta, onde desembarcou nesta terça-feira, Obama disse que é maravilhoso estar de volta à cidade onde passou quatro anos de sua infância, mas admitiu que é um pouco desorientador.

"É maravilhoso estar aqui, mas eu tenho que dizer a vocês que quando você visita um lugar no qual você passou algum tempo quando criança, como o presidente é um pouco desorientador", declarou Obama ao lado do presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono.

Obama, que falou algumas palavras no idioma local, afirmou que pretende retornar à Indonésia com as duas filhas para mostrar a ambas o "magnífico arquipélago". Ele afirmou que a paisagem mudou totalmente em 40 anos.

Obama viveu entre 1967 e 1971, quando tinha entre seis e 10 anos, em Jacarta com sua mãe americana e o padrasto indonésio, depois de ter passado os primeiros anos no Havaí.

AP
Em viagem oficial com o marido, Michelle Obama faz tour por `tradições indonésias¿ com primeira-dama do país
Antes da entrevista coletiva, Yudhoyono e Obama assinaram um "acordo global" para reforçar as relações bilaterais no comércio, segurança e educação.

"Concordamos em melhorar a cooperação em vários setores, em especial as relações comerciais, investimentos, educação, energia, clima e meio ambiente, segurança e democratização, assim como a sociedade civil", declarou o presidente indonésio. Os dois países também decidiram colaborar de maneira mais estreita na luta contra o terrorismo, completou Yudhoyono.

Vulcão

Assessores de Obama disseram que ele poderá ter de encurtar a visita, planejada para durar 20 horas, por causa das erupções do vulcão Monte Merapi - situado a 600 quilômetros de Jacarta -, que já mataram 153 e espalham uma nuvem de cinzas que prejudicou a aviação civil no fim de semana.

Além de acordos assinados entre EUA e Indonésia, Obama deve anunciar uma verba de milhões de dólares para a preservação florestal na Indonésia, como parte dos esforços contra a mudança climática global.

A primeira etapa da viagem de Obama à Ásia foi a Índia, onde o presidente americano passou três dias. Na segunda-feira, ele expressou seu apoio à candidatura do país por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Na quarta-feira, o presidente visitará a mesquita Istiqlal, uma das maiores do mundo, e fará um discurso ao ar livre. Cerca de 15 mil policiais e soldados participam do esquema de segurança em Jacarta, onde houve atentados a hotéis no ano passado, embora mais recentemente as autoridades tenham conseguido progressos no combate à militância islâmica.

*Com AFP, BBC, Reuters, AP e reportagem de Nahum Sirotsky

    Leia tudo sobre: obamaindonésiaisraelpalestinosoriente médio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG