Na Indonésia, Lula discute interesses globais comuns

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta sexta-feira à Indonésia, após uma rápida passagem pelo Timor Leste, para discutir a colaboração em assuntos que interessam aos dois países no cenário internacional. Detentora de uma economia fortemente baseada em recursos naturais, como petróleo e gás, a Indonésia compartilha com o Brasil a mesma posição diante de alguns dos grandes desafios mundiais, como os biocombustíveis e a preservação das matas tropicais.

BBC Brasil |

Nesta semana, o governo do país anunciou planos de exigir que as fábricas utilizem biocombustíveis ou outras fontes de energia limpa para fornecer pelo menos 2,5% de sua necessidade energética total.

A decisão, que deverá ser tomada em outubro, segundo o Ministério da Energia, levantou críticas e o temor de que ela possa elevar os preços de óleo de palma, amplamente utilizado na cozinha local. Mas o país defende a ampliação do uso de alternativas energéticas.

Agricultura
Outro assunto que está na agenda dos dois países é a conservação das florestas tropicais e a cobrança de definições mais claras dos países ricos sobre metas para a emissão de CO2.

Os dois países também compõem o G-20, que atuam juntos na queda-de-braço para tentar a redução do protecionismo agrícola por parte dos países desenvolvidos no âmbito da Rodada Doha.

"Acho incrível que nosso país não tenha tido uma participação na Indonésia ao longo da história", disse Lula, ainda no Vietnã. "Nós temos interesse em abrir janelas de oportunidades para que um país como a Indonésia possa comprar do Brasil e vender para o Brasil, e através do Brasil comprar do Mercosul e vender para o Mercosul para que a gente possa fortalecer o bloco."
No ano passado, as trocas comerciais do Brasil com a Indonésia chegaram a US$ 1,6 bilhão, com importações de cerca de US$ 900 bilhões e exportações de US$ 600 bilhões, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio Exterior.

As principais compras brasileiras são borracha, cacau e fibras, enquanto as principais vendas, bagaços de óleo de soja, algodão, minérios de ferro e produtos semi-faturados.

A delegação de cerca de 30 empresários que acompanharam o presidente em Hanoi também veio a Jacarta, representando setores de construção civil, agronegócios, bancos e tradings, entre outros.

O presidente encerra seu giro pela Ásia, que começou com a reunião do G-8 no Japão, na Indonésia. O país tem 230 milhões de habitantes, espalhados em cerca de 17 mil ilhas que alcançam quase até a Austrália, e um Produto Interno Bruto (PIB) em torno de US$ 1 trilhao.

Como de praxe em visitas de Estado, Lula visitará os líderes das principais instituições do país, e terá uma reunião com o presidente Susilo Banbang Yudhoyono. O presidente brasileiro participara ainda do encerramento de um evento empresarial.

Até há uma década a aproximação do Brasil com a Indonésia era dificultada pela luta de independência timorense, que recebia simpatia de Brasilia. Timor se separou em 1999.

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