Na Indonésia, Hillary Clinton se lança na reconquista do mundo muçulmano

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, realizou uma operação de sedução na Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, para convencer que os Estados Unidos mudaram após os anos Bush e que agora sabem escutar as outras nações.

AFP |

Sorridente e atenciosa com estudantes, as crianças de uma favela e o público de um programa para jovens, Clinton multiplicou seus gestos de abertura e disponibilidade durante sua visita de dois dias a Jacarta.

Em seus discursos, a secretária de Estado usou o diálogo e a aproximação entre os povos, sem nunca se distanciar das ameaças do islamismo radical ou do terrorismo. "É essencial escutar e falar com todos no mundo", declarou nesta quinta-feira.

A Indonésia foi incluída, ao lado do Japão e da China, no giro inaugural de Hillary Clinton com objetivo de estender a mão ao mundo muçulmano, segundo um porta-voz do departamento de Estado. Na população do imenso arquipélago, 90% das pessoas são muçulmanas, adeptas a um islamismo moderado e tolerante, apesar de uma pequena minoria ativa defende a instauração da sharia (a lei islâmica).

Muito gentil no quarto país mais populoso do mundo, Clinton apresentou a Indonésia como um modelo que demonstra que "o islamismo, a democracia e a modernidade pode não somente coexistir como também prosperar juntas".

"Esperamos da Indonésia conselhos e opiniões sobre como melhorar as relações não somente com o mundo muçulmano como também com a Ásia e além da Ásia", acrescentou, depois de um encontro com o presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono.

Hillary Clinton obteve uma resposta positiva quando seu colega, Hassan Wirajuda, garantiu que a Indonésia será um bom parceiro dos EUA junto ao mundo muçulmano.

Autoridades indonésias, no entanto, advertira que, para conseguir, esta tentativa de reaproximação deve se concretizar por atos, principalmente no Oriente Médio.

"Se os Estados Unidos não abandonarem a política de "dois pesos, duas medidas" no conflito israelense-palestino, não esperem uma melhora das relações com o mundo muçulmano", avisou Din Syamsuddin, presidente da Muhammadiyah, segunda organização muçulmana indonésia.

Clinton fez um gesto, confirmando nesta quinta-feira sua presença na conferência internacional dos doadores para Gaza prevista para 2 de março no Egito, algumas semanas após o gim da ofensiva destruidora israelense contra o Hamas.

Em Jacarta, a missão da secretária do Estado foi facilitada pela imensa popularidade do presidente Barack Obama. Inúmeros indonésios o consideram como "um dos nossos" por ter vivido no país quando criança, de 1967 a 1971, depois do casamento de sua mãe com um indonésio.

Hillary Clinton garantiu que, assim que voltar para Washington, ela iria dizer a Obama quanto ele era amado e estimado (na Indonésia) e que ele deveria aproveitar a oportunidade para voltar lá assim que tiver um tempinho.

Depois de Tóquio e Jacarta, a secretária de Estado é esperada na noite desta quinta-feira em Seul para evocar principalmente a questão norte-coreana enquanto Pyongyang é suspeito de preparar um teste de míssil de longo alcance. Ela irá em seguida a Pequim, última etapa de sua viagem, na qual insistiu sobre a importância de reforçar as ligações entre os dois lados do Pacífico.

lc-jri/lm

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