Na França, Betancourt pede para Virgem Maria a libertação de reféns

Lourdes (França), 12 jul (EFE).- A franco-colombiana Ingrid Betancourt, que há dias classificou de milagre sua libertação, pediu hoje a Virgem Maria, no santuário de Lourdes, na França, que haja outro resgate que liberte os prisioneiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

EFE |

"Os reféns necessitam de sua força (...) faça rapidamente o milagre de devolver a liberdade a eles", disse a ex-refém das Farc em mensagem à "Maria, querida", na gruta de Massabielle, sudoeste da França.

A ex-candidata à Presidência da Colômbia, que carrega na boneca o rosário de cânhamo e botões que fez no cativeiro, agradeceu à Virgem pela oportunidade de poder fazer aquela oração.

No último dia 2, depois de mais de seis anos de cativeiro na floresta, Betancourt foi libertada junto com outros 14 reféns das Farc em uma operação do Exército colombiano.

"Esperei muito este momento", disse hoje Betancourt.

A Virgem Maria foi "fundamental" na floresta. No ambiente de "solidão espiritual" em que estava, e rodeada de "inimigos agressivos", a "única pessoa" com quem podia "falar interiormente era Nossa Senhora", explicou em diversas ocasiões desde sua chegada à França, há oito dias.

A ex-refém, que durante os anos de cativeiro passou a ter um contato maior com a bíblia e com Nossa Senhora, foi a duas igrejas de Paris no domingo passado, e no próximo mês será recebida na Itália pelo papa.

Betancourt, que chegou sexta-feira a Lourdes com sua mãe, seus dois filhos e sua irmã, após uma semana de constantes entrevistas à imprensa e de homenagens em Paris, foi rezar hoje sozinha na capela da Adoração, antes de se dirigir com seus familiares à gruta das aparições de Nossa Senhora, por volta do meio-dia.

Rezou a "Ave Maria" pelos reféns e pela liberdade junto com o bispo de Lourdes, Jacques Perrier, e pôs as mãos na rocha da gruta, como fazem os peregrinos no santuário, que comemora este ano o 150º aniversário das aparições de Nossa Senhora para Bernadette Soubirous.

A visita de Betancourt, cercada por uma série de fotógrafos e repórteres, e sob forte chuva, foi rodeada por um impressionante desdobramento policial, mas não interrompeu a procissão de peregrinos.

Houve quem a aplaudisse imediatamente ao reconhecê-la, e houve quem, como um grupo de chineses, perguntasse quem era ela.

Em uma breve declaração à imprensa, em francês e espanhol, após sua visita à gruta, a ex-refém explicou que foi "agradecer" e "pedir a libertação" dos que continuam prisioneiros na selva.

"Penso em todos os que ficaram" e que necessitam de "uma voz" que fale deles, comentou.

Seu filho, Lorenzo, disse à Agência Efe que é "um momento muito emocionante".

"Pensamos evidentemente nos reféns que continuam na selva, os 25 políticos e muitos outros", assinalou o jovem.

Já o bispo de Lourdes disse que explicou a Betancourt como funcionam as coisas no santuário e que ela fez todos os rituais dos peregrinos na gruta, assim como fará o papa Bento XVI em sua visita ao local, prevista para setembro.

Monsenhor Perrier disse estar surpreendido com o fato de Betancourt, mesmo depois de mais de seis anos na floresta, parecer tão acostumada a se movimentar em meio à multidão, como a que foi vista hoje em Lourdes.

Segundo o bispo, há "três pilares muito fortes" em Betancourt: "a fé, a família e o compromisso".

A ex-prisioneira, que almoçou com Perrier e com autoridades de Lourdes, voltou à tarde para Paris a fim de continuar sua cruzada pela libertação de seus companheiros de cativeiro.

Na reunião de amanhã, em Paris, com o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, Betancourt deve pedir para a Espanha continuar empenhada na libertação dos reféns.

A franco-colombiana também se reunirá com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que, da mesma forma que Zapatero e cerca de 40 chefes de Estado, assistirá em Paris ao restabelecimento da relação entre a Europa e o sul do Mediterrâneo.

Segunda-feira, Betancourt receberá a Legião de Honra das mãos do presidente francês, Nicolas Sarkozy, depois da passeata militar na festa nacional da França, no Champs-Elysées, para a qual foi convidada. EFE md/fh/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG