Rio de Janeiro, 22 dez (EFE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou hoje novamente a especulação financeira da crise mundial, e destacou que não se pode distribuir as perdas com a sociedade quando não se distribuiu o lucro. Todos sabemos que essa crise é resultado de uma especulação financeira. Todos sabemos que o petróleo nunca valeu US$ 150 o barril, que os produtos alimentícios não deviam ter subido o que subiram, disse Lula no Rio de Janeiro no 2º Encontro Empresarial Brasil-União Européia.

A reunião é uma atividade paralela da 2ª Cúpula Brasil-União Européia, que Lula realizará esta tarde com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que exerce a Presidência semestral da UE, e com o presidente da Comissão Européia (braço Executivo do bloco), José Manuel Durão Barroso.

Em seu discurso, Lula criticou os especuladores que investiram durante anos nos mercados futuros de matérias-primas, e afirmou que o resto da sociedade não pode pagar pelo que poucos fizeram.

"A única coisa que não posso fazer é socializar os prejuízos quando não socializei os lucros. É preciso que assumamos a responsabilidade", afirmou.

"Muitos não podem continuar pagando pela irresponsabilidade de poucos", acrescentou.

Segundo o presidente, os governantes sabem que "o mundo não pode continuar dessa forma", mas evitou dar fórmulas para superar a crise, porque, disse, "cada um tem que decidir em função da realidade política, econômica e cultural de seu país".

No entanto, ressaltou que "a crise econômica que tanto assustou e assusta" pôs em discussão o papel que o Estado tem que exercer na economia.

"Não defendo o Estado gerente, que se intromete na economia, porque só isso não resolve o problema", disse Lula, que, no entanto, defendeu uma maior regulação dos mercados.

O presidente afirmou que "o Estado precisa investir agora o que não investiu há dez anos, construir o que não construiu dez anos atrás".

Lula citou como exemplo o caso do Brasil, e afirmou que nenhum projeto governamental seja interrompido por causa da crise, porque o país enfrentou a situação atual com otimismo e sempre buscando alternativas.

"Não vamos entrar em recessão, o Brasil continuará crescendo, certamente não será 6%, mas crescerá 4%, e vamos trabalhar com isso", destacou Lula, que disse estar "entre os homens mais otimistas do mundo".

O presidente explicou que o Governo fará o possível e o impossível para superar a situação atual, e destacou que o "Brasil sairá muito mais forte desta crise".

"Se não fazemos nada, essa crise pode causar convulsões sociais em vários países", advertiu o governante.

Do mesmo modo, assegurou que o Brasil e a União Européia devem trabalhar mais juntos do que nunca perante o cenário atual.

"A resposta à crise é redobrar a aposta em nossa associação" estratégica, afirmou, em referência ao plano que as partes iniciarão para fortalecer o diálogo e a cooperação bilateral. EFE joc/db

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