Na contramão de países ricos, América do Sul eleva consumo de cocaína

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) destaca em seu relatório mundial divulgado nesta quarta-feira que a América do Sul vem seguindo nos últimos anos uma tendência oposta à dos países ricos e elevando o seu consumo de cocaína.

BBC Brasil |


Estima-se que o Brasil, maior mercado para a cocaína produzida nos vizinhos, tinha 890 mil usuários da droga em 2005, uma taxa equivalente a 0,7% da população entre 12 e 65 anos. Em 2001, a taxa era de 0,4%.

Embora com um número menor de usuários, a taxa de prevalência da droga na Argentina supera com folga a do Brasil. Estima-se que 660 mil pessoas abusem da droga no país vizinho, ou 2,6% da população de 2006.

Apesar de os dados já constarem do relatório anual do UNODC do ano passado, o órgão não deixou de notar o fato de tal crescimento contrastar com uma clara tendência de redução ou estabilização nos países ricos.

Reduções nos países ricos

Nos Estados Unidos, o maior mercado para cocaína, o número de usuários de cocaína passou para 5,7 milhões, tendo chegado a 6 milhões no passado. O resultado é consistente com testes realizados em trabalhadores americanos, segundo o relatório.

Nos principais mercados europeus, o estudo notou uma "estabilização" do consumo. Na Grã-Bretanha, que com 1 milhão de usuários reúne o maior número de consumidores da região, a taxa de prevalência caiu de 2,6% para 2,3% da população na Inglaterra e no País de Gales entre 2007 e 2008, o que equivale a 860 mil usuários.

A Espanha, que tem historicamente uma das maiores taxas de prevalência de abuso de cocaína no continente (3%), parece ter entrado em uma situação estável, com 990 mil usuários.

Na Itália, o terceiro maior mercado europeu para cocaína (850 mil usuários), as taxas permaneceram iguais entre 2005 e 2008: 2,2%.

Drogas e instabilidade

No comunicado que acompanha o relatório, o diretor-executivo do UNODC, Antonio Costa, relaciona o problema da droga à instabilidade e à violência nos países que servem de corredor para o tráfico.

Este é o caso da Guatemala, que tem uma taxa de prevalência relativamente baixa - de 0,2% - mas que sofre com a violência dos cartéis mexicanos que disputam o "negócio" da droga.

No México, que foi recentemente considerado como um "problema de segurança para os Estados Unidos" por conta da dificuldade do Estado de controlar as gangues, a taxa era de 0,8% em 2006.

Por outro lado, destaca o UNODC, o declínio das apreensões de droga em países da África Ocidental "parece refletir a diminuição dos fluxos de cocaína, após cinco anos de crescimento" - embora ainda se observe na região violência e instabilidade política relacionada às drogas, em particular na Guiné Bissau.

"Enquanto houver demanda por drogas, os países mais vulneráveis continuarão sendo alvos dos traficantes", disse Antonio Costa. "Se a Europa quiser realmente ajudar a África, deve diminuir o seu apetite por cocaína."

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