Na Casa Branca, Bush e Obama dão mais um passo no processo de transição

Teresa Bouza. Washington, 10 nov (EFE).- O atual presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, recebeu hoje Barack Obama, com quem percorreu as instalações da Casa Branca e manteve um encontro privado como parte do ritual de transição de poder.

Obama, vencedor das eleições presidenciais dos EUA na terça-feira passada, foi à reunião em uma limusine negra com vidros escuros e acompanhado por sua esposa, Michelle, pouco após chegar em Washington.

Suas duas filhas pequenas, Malia, de 10 anos, e Sasha, de 7, ficaram em Chicago para ir ao colégio, onde se despediram do pai com um beijo na manhã de hoje.

Os próximos moradores da Casa Branca chegaram à residência oficial 11 minutos antes da hora prevista, que era às 17h (Brasília), e posaram para as câmeras durante breves instantes após os cumprimentos oficiais.

O presidente eleito saiu ligeiramente do protocolo ao dar um leve toque com a mão nas costas de Bush, em um gesto característico seu.

Michelle trajou um chamativo vestido vermelho, enquanto Laura Bush preferiu um mais discreto modelo cor café.

Laura e Michelle discutiram sobre o papel de primeira-dama durante o encontro, que durou cerca de uma hora, no qual a jovem advogada de Chicago pôde conhecer os cantos mais recônditos e privados da emblemática residência oficial.

Bush e seu sucessor se reuniram no Salão Oval da Casa Branca, sala em que dentro de apenas alguns meses Obama tomará importantes decisões nacionais e internacionais.

Josh Bolten, chefe de gabinete de Bush, disse que o atual presidente e Obama ficarão a sós na sala durante o encontro.

O conteúdo da conversa é privado, embora Bush tenha antecipado na semana passada que falaria com Obama sobre a crise econômica, as tropas americanas no Iraque e no Afeganistão e a cúpula financeira do G20 - que reúne emergentes e desenvolvidos - feita no sábado na capital americana.

Obama culpou durante toda a campanha as "políticas fracassadas" de Bush pela catastrófica situação no país e assegurou que, no momento que ele sair do Governo, "o mundo dará um suspiro de alívio".

Apesar dessas declarações, Obama optou por viajar hoje para Washington em clima de paz, buscando facilitar o processo transitório.

"Vou ao encontro com espírito bipartidário e o sentido que tanto o presidente, como vários líderes do Congresso, reconhecem a gravidade da situação e querem atuar", disse Obama na sexta-feira em Chicago durante sua primeira coletiva de imprensa após ganhar as eleições presidenciais de terça-feira.

Bush se referiu na semana passada à vitória de Obama como um "triunfo da história americana" e pediu aos membros de seu Governo que colaborem em tudo que for possível com a equipe democrata durante a etapa de transição.

John Podesta, chefe da equipe de transição de Obama, antecipou durante o fim de semana que o senador democrata poderia utilizar suas atribuições executivas para anular algumas das políticas de Bush em temas como a pesquisa com células-tronco e as perfurações petrolíferas.

Obama já havia estado na Casa Branca, embora hoje tenha sido a primeira vez que entrou no famoso Salão Oval.

O democrata, que venceu na terça-feira seu adversário, o republicano John McCain, lembra em seu livro autobiográfico suas primeiras impressões da Casa Branca após uma visita em 2004.

"A Casa Branca não tem o interior luminoso que poderia se esperar com base no que se vê em filmes e na televisão. Está bem mantida, mas desgastada. É uma casa grande e velha na qual se imagina que deve haver correntes durante as frias noites invernais", diz Obama sobre aquela primeira visita.

Na obra, o democrata lembra também outra segunda passagem pela Casa Branca em 2005, quando foi acompanhado por um grupo de novos senadores como ele.

"Você tem um futuro brilhante pela frente, muito brilhante", disse a ele então Bush, segundo o relato de Obama, que assegura que o presidente advertiu que seu carisma poderia voltar contra si.

"Todo o mundo esperará que derrape (...), ou seja, tenha cuidado", disse Bush a Obama na ocasião. EFE tb/rr

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