Na Bolívia, Betancourt defende ação militar contra Farc

La Paz, 6 dez (EFE).- A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt justificou hoje como necessária uma ação militar contra a guerrilha, que segundo ela está completamente de costas para a Colômbia e se tornou em um cartel da droga que favorece seus líderes.

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Betancourt expressou sua opinião depois de se reunir com o presidente da Bolívia, Evo Morales, em La Paz, em meio à viagem que faz pela América do Sul com o objetivo de pedir apoio para conseguir a libertação de outros reféns das Farc.

Depois do encontro, Morales viajou para Chapare onde disse que, depois de ouvir Betancourt, se sentia mais comprometido para discutir com presidentes e movimentos sociais o fim dos enfrentamentos armados na América Latina.

Durante a coletiva de imprensa que concedeu ao término de seu encontro com Morales, Betancourt justificou a necessidade da ação militar contra as Farc porque, de acordo com ela, elas funcionam como um Exército e não como um grupo de "bandidos".

"A opinião que eu tenho é fruto do que vivi em cativeiro durante esses quase sete anos. Eu penso que a opção militar, a pressão militar sobre as Farc é necessária", disse Betancourt.

Essa foi a resposta que deu ao ser consultada sobre o que pensa da opinião de Morales, expressada esta semana, de que a "opção militar" ou "repressiva" não era uma boa solução para o conflito colombiano, já que antes devem ser resolvidos problemas sociais do país.

"As Farc hoje em dia são uma organização obviamente militar. Não são uma organização de bandidos. São uma organização (...) que tem uma doutrina que é uma opção comunista dos anos 50", destacou a franco-colombiana.

"Mas, é uma guerrilha que deixou de ser o essencial (...), deixou de ter uma reflexão política em torno do problema da Colômbia e, portanto, está completamente de costas para o país", apontou Betancourt.

Morales expressou várias vezes que apóia uma solução discutida para o problema das Farc e também questionou a organização por acreditar que não é tempo de pegar em armas, mas de buscar o poder pela via democrática.

O presidente boliviano ressaltou hoje que se sente comprometido em acabar com os enfrentamentos armados na região e sustentou que lutar por reformas sociais "não demanda seqüestros" nem "massacres".

Betancourt também afirmou que as Farc estão "esclerosadas" e são "autistas" perante a necessidade de se adequar à realidade da Colômbia. Segundo ela, além disso, a organização se tornou um "cartel da droga".

"É uma guerrilha sem povo (...). Isto explica porque Uribe foi eleito, reeleito e provavelmente voltará a se reeleger uma terceira vez", comentou a ex-candidata presidencial colombiana.

Para ela, os rebeldes das Farc viraram "burgueses revolucionários" frente à tropa guerrilheira, graças à importância que dá o narcotráfico.

Segundo Betancourt, "não há outra opção" senão a militar para combater as Farc.

A ex-seqüestrada destacou, além disso, que o presidente boliviano é um exemplo de que a esquerda pode chegar ao poder pela "via democrática" e ter sucesso, como também mostraram outras opções de "esquerda revolucionária" na América Latina.

Segundo ela, as Farc tem uma admiração por presidentes como Morales e Hugo Chávez, da Venezuela, "mas isso não quer dizer que haja uma relação clandestina" deles com o grupo guerrilheiro.

"Eu considero que para conseguir a libertação dos meus companheiros, a participação do presidente Chávez é muito importante e isso não quer dizer que tenha vinculo direto com as Farc", acrescentou.

A Bolívia é a penúltima etapa da viagem que Betancourt pretende encerrar na Venezuela, antes de retornar à França.

A franco-colombiana já se encontrou com os presidentes de Equador, Argentina, Chile, Peru e Brasil, de onde viajou na sexta-feira a La Paz. EFE ja/rr

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