O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a condenar, nesta quarta-feira, o protecionismo econômico, mas disse que ninguém é obrigado a pensar como o Brasil. As declarações foram feitas logo após o desembarque de Lula em Buenos Aires, em um momento em que empresários brasileiros e argentinos travam uma disputa depois de a Argentina ter adotado medidas para proteger sua indústria.

"O Brasil tem a tese de que quanto mais protecionismo, menos chances nós temos de resolver o problema da crise. Quanto mais liberdade de comércio, mais chances nós temos. Mas ninguém é obrigado a pensar como o Brasil".

Quando perguntado se as medidas argentinas o preocupavam, Lula respondeu: "não, não me preocupam. Me dá muita tranquilidade essa relação com a Argentina".

AFP
Lula chega em Buenos Aires

Lula acena para jornalistas após desembarcar em Buenos Aires

Segundo ele, no lugar de Brasil e Argentina ficarem "nervosos" e "brigando", é preciso entender que os dois países vivem um "momento excepcional".

Lula chegou a Buenos Aires acompanhado por uma comitiva de quatro ministros, além do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Nesta quinta-feira, eles devem se reunir com a presidente Cristina Kirchner e sua equipe.

Comércio bilateral

A visita oficial de Lula à Argentina faz parte do sistema de reuniões semestrais combinado entre os dois governos. Essa é a terceira vez em um ano e meio que Lula e Cristina Kirchner realizam encontros do tipo.

A expectativa é que o declínio no comércio entre os dois países nos primeiros três meses deste ano (em relação ao mesmo período de 2008) seja um dos principais assuntos do encontro.

A lista de temas a serem tratados, no entanto, é mais ampla e inclui desde o pedido da Argentina de voltar a receber energia brasileira durante o inverno, até a eliminação do dólar das transações comerciais - mecanismo que está em vigor, mas que ainda não atende as expectativas de adesão por parte das empresas dos dois países.

Energia

O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou nesta quarta-feira que a previsão é de que o Brasil volte a fornecer energia para a Argentina a partir de maio.

"Para que eles possam ter um pouco mais de conforto neste período (de inverno), voltaremos a fornecer energia (para o mercado argentino). No ano passado, chegamos a fornecer até 1.500 megawatts de energia (por dia), o que não é pouco. Em troca, a Argentina honrou com seu compromisso, devolvendo a tempo a energia que recebeu e também pagou pela energia térmica que consumiu".

Lobão afirmou ainda que será discutida a construção da hidrelétrica binacional de Garabi, que ainda depende das licenças ambientais dos dois países.

Um estudo feito por um grupo de oito ex-secretários de Energia da Argentina, divulgado nesta quarta-feira, destacou que o setor precisa de investimentos e políticas de longo prazo para evitar maior escassez.

A comitiva do presidente Lula é formada pelos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, da Defesa, Nelson Jobim, das Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente do Banco Central.

A previsão é que eles divulguem uma declaração conjunta sobre o andamento de cada assunto discutido. A comitiva brasileira retorna ao Brasil na tarde desta quinta-feira.


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