Na América Latina, McCain defenderá livre comércio

O senador pelo Estado do Arizona e provável candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, viaja nesta terça-feira para a Colômbia, de onde seguirá, em seguida, para o México. Durante sua estadia, o republicano irá se encontrar com os presidentes colombiano e mexicano, Álvaro Uribe e Felipe Calderón, e adiantou que o livre comércio será o tema dominante de sua agenda.

BBC Brasil |

Segundo o senador, o propósito principal da viagem, que vai de terça a quinta-feira, é mostrar que ele acredita ''no princípio do livre comércio'' e ainda agradecer aos dois países pelos programas que estes vêm firmando no combate às drogas.

Mas o propósito oculto da viagem é o de firmar contrastes entre as suas políticas e as do senador pelo Estado de Illinois e provável candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama.

McCain, assim como o presidente George W. Bush, defende um tratado de livre comércio entre Estados Unidos e Colômbia, que acabou sendo derrubado pelo Congresso americano, dominado pela maioria democrata, neste ano.

Contrastes
O acordo também conta com a oposição de Barack Obama. Durante a campanha, Obama também afirmou que iria renegociar o acordo de criação do Nafta (acordo de livre comércio das Américas, que une Estados Unidos, México e Canadá), para que o tratado passasse a incluir cláusulas trabalhistas que garantam a manutenção de empregos americanos.

Há duas semanas, o republicano foi ao Canadá, onde fez elogios ao Nafta. Na ocasião, sem citar o nome do adversário democrata, McCain afirmou que aqueles que propõem a renegociação do Nafta ''procuram se esconder atrás de paredes protecionistas''.

Apesar de dizer que um dos propósitos da viagem ''é firmar a minha contínua cooperação com eles'', McCain adiantou que ''no caso do México, farei um apelo para que eles reformem a sua economia, para garantir que ele se torne mais aberta e competitiva''.

Fronteira
O republicano também pedirá que o país fiscalize com maior rigor a sua fronteira com os Estados Unidos, a fim de prevenir a entrada de imigrantes ilegais e de drogas. ''Seria bem mais fácil se pudéssemos confiar tanto em nossos vizinhos do sul como nos do norte no que diz respeito à segurança da fronteira''.

Segundo Michael Shifter, vice-presidente do instituto de pesquisas políticas Inter American Dialogue, o giro latino-americano de McCain visa ''mostrar que ele é forte em temas de segurança nacional, uma área em que ele parece ter uma vantagem sobre Obama. Por isso, não há países melhores para ir do que México e Colômbia, fortemente atingidos pela violência e pelo crime organizado''.

Na semana passada, o senado americano aprovou um pacote que prevê investimentos que totalizam US$ 1,6 bilhão (R$2,5 bi) no combate ao narcotráfico no México, na América Central e no Caribe.

Pelo acordo, conhecido como Iniciativa Mérida, os mexicanos receberão um total de US$ 400 milhões no primeiro ano, que envolve o treinamento de militares e o envio de helicópteros e equipamentos.

Os Estados Unidos prestam auxílio militar e financeiro à Colômbia dentro do programa de combate ao narcotráfico conhecido como Plano Colômbia.

O governo dos Estados Unidos foi o único em todo o continente americano a endossar a incursão militar realizada pelo Exército da Colômbia em território do Equador, para atacar um suposto acampamento do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (as Farc), em março deste ano.

Tanto McCain como Obama defendem o direito da Colômbia de agir além de suas fronteiras para conter a ação de guerrilheiros e traficantes.

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