Na véspera de fim de missão de combate, vice dos EUA visita Bagdá

Visita surpresa ao Iraque ocorre um dia antes de Washington marcar a retirada oficial das forças de combate do país árabe

iG São Paulo | 30/08/2010 13:12 - Atualizada às 16:52

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O vice-presidente americano Joe Biden chegou nesta segunda-feira em uma visita surpresa a Bagdá, na véspera do final oficial da missão de combate dos soldados americanos no Iraque, indicou a embaixada dos Estados Unidos. Ele se reunirá com dirigentes iraquianos e comparecerá à cerimônia da retirada das tropas, que ocorre em meio ao temor de uma escalada da violência.

Foto: Reuters

Vice-presidente dos EUA, Joe Biden, chega a Bagdá

Segundo a Casa Branca e o diário governamental iraquiano "Al-Sabah", Biden se reúne na terça-feira com autoridades iraquianas para reiterar o compromisso em longo prazo dos EUA com o Iraque.

Em suas reuniões com os dirigentes dos diferentes blocos políticos iraquianos, entre eles o primeiro-ministro interino Nuri al-Maliki, Biden buscará impulsionar o estagnado processo de formação de um novo governo. Além disso, participará na quarta-feira da cerimônia em que o Exército americano passará o comando militar do país às forças iraquianas.

A visita de Biden ocorre num momento em que o Iraque está em alerta máximo para o risco de ataques de insurgentes, depois de uma série de atentados ter matado dezenas de pessoas, evidenciando a fragilidade dos recentes avanços na segurança interna do país.

A retirada americana é acompanhada com interesse pelo povo iraquiano, que teme um aumento da violência por causa da falta de preparo do Exército, algo que foi reconhecido em 11 de agosto pelo chefe do Estado-Maior iraquiano, general Babakar Zebari.

Além disso, al-Maliki advertiu há dois dias que a rede terrorista Al-Qaeda e os seguidores do ex-partido governante Baath, do ex-ditador Saddam Hussein, têm planos de lançar novos ataques.

O analista político Omar Nabili acredita que a retirada americana pode mandar uma mensagem aos dirigentes iraquianos que devem assumir sua responsabilidade e deixar de lado suas diferenças. "A retirada é um momento importante na vida dos iraquianos que devem se aproveitar dela para estabelecer um Mapa do Caminho (da paz), a fim de impulsionar o processo de consenso nacional", assinalou Nabili.

Os partidos iraquianos não conseguiram ainda um acordo para criar um novo Gabinete após as eleições de 7 de março, nas quais venceu a Al-Iraqiya com 91 das 325 cadeiras do Parlamento, frente ao agrupamento de al-Maliki, que ficou em segundo lugar com 89 assentos na Câmara.

Retirada vista com suspeita

Os iraquianos veem com suspeita a retirada das forças de combate e questionam se os EUA estão indo embora porque realmente acabaram suas tarefas ou estão fugindo de um beco sem saída. Para essa desconfiança contribuíram as dúvidas sobre a preparação do Exército iraquiano para garantir a segurança após a redução dos soldados para 50 mil homens.

"Não quero ver tanques americanos nas ruas de Bagdá, mas temo pelo futuro do país. Fala-se muito da falta de recursos e treinamentos suficientes das forças de segurança, e ainda há diferenças políticas", disse um morador de um bairro do norte de Bagdá, Haidar Azmi. O xiita de 50 anos considera que os americanos saem do Iraque deixando para trás um país destruído.

Seu compatriota sunita Emar Salim, de 43 anos e procedente da Província de Salah ad-Din, ao norte de Bagdá, está satisfeito com a saída dos soldados americanos, mas reconheceu que o Iraque não caminha na direção correta. "Desconhecemos para onde se dirigem as coisas, já que não há uma harmonia política nem um Exército forte que proteja as fronteiras e as instituições governamentais", disse Salim.

"Acho que o que se vive agora é o trabalho que (o ex-presidente dos EUA George) Bush anunciou como cumprido: o grande caos", acrescentou. Para Salim, esse caos "empurrou o presidente americano, Barack Obama, a fugir com suas tropas de um beco sem saída, por isso que os iraquianos devem enfrentar suas responsabilidades".

O analista em assuntos militares Ali al-Obeidi compartilha dessa visão porque, segundo ele, os soldados americanos nunca foram recebidos com flores, mas com resistência e ataques.

Os EUA "não triunfaram como diziam", destacou Obeidi, que apontou que é possível que o plano de retirada deve-se ao fato de a atual administração de Washington desejar desligar-se da pesada herança de Bush. Para o analista, regular a situação de segurança depois da retirada não será simples, porque a realidade das forças armadas iraquianas indica falta de preparação, sobretudo diante de agressões externas.

*Com Reuters, EFE e AFP

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