Mutação de gene reduz risco de doenças cardiovasculares, aponta estudo

A mutação de um gene observada na comunidade amish levaria a uma queda substancial do nível de gordura no sangue, permitindo diminuir os riscos de doenças cardiovasculares, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science.

AFP |

"Descobrimos que 5% da população amish apresenta uma mutação de um gene que acelera a eliminação de triglicerídeos, partículas de gordura presentes no sangue" que são fatores de doenças cardiovasculares, como o infarto, explicou um dos pesquisadores, Toni I. Pollin, professor na Escola de Medicina de Maryland (leste).

Mais de 800 pessoas da comunidade amish do condado de Lancaster (Pensilvânia, nordeste) participaram do estudo, financiado pelo Instituto Nacional do Coração, Pulmões e Sangue.

Os amish são um movimento fundamentalista protestante pacifista que se mantém, voluntariamente, afastado de qualquer progresso. Hoje, a comunidade conta com algo em torno de 200.000 membros nos EUA, distribuídos por cerca de 20 estados.

Os indivíduos estudados tomaram milk-shakes ricos em gordura antes de se submeter a uma série de exames para observar as reações de suas artérias frente a esse tipo de alimentação.

Segundo os resultados, os indivíduos portadores da mutação do gene APOC3 teriam maiores níveis de lipoproteínas de alta densidade (HDL), o "bom colesterol", e níveis mais baixos de lipoproteínas de baixa densidade (LDL), o "colesterol ruim".

Também se observou uma diminuição da arteriosclerose (endurecimento das artérias) e dos depósitos de cálcio nas artérias, igualmente responsáveis por doenças cardiovasculares.

Os cientistas acreditam que a mutação do gene tenha sido introduzida na comunidade amish em meados do século XVIII. No restante da população, é muito rara, praticamente inexistente.

"A velha comunidade amish é ideal para a pesquisa genética porque é geneticamente homogênea", destaca Alan R. Shuldiner, professor de Medicina e um dos principais autores do estudo.

Desde 1993, os cientistas de Maryland já fizeram mais de uma dúzia de estudos com os amish, relacionados a doenças como diabetes, obesidade, ou osteoporose.

eg/tt/LR

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