Musharraf renuncia à presidência do Paquistão

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, renunciou ao cargo nesta segunda-feira em meio a uma campanha de impeachment contra ele lançada por partidos da oposição. Para o lugar de Musharraf assume o poder o presidente do Senado, Mohammedmian Soomro.

Redação com agências internacionais |

Segundo informou a agência de notícias EFE, Soomro tomou posse hoje e ocupará o cargo de forma interina até a realização de novas eleições, algo que a Constituição prevê que sejam realizadas em um prazo de um a dois meses.

Musharraf é acusado de incompetência e de ter violado a Constituição do país. Em um discurso à nação, Musharraf disse que um processo de impeachment não seria de interesse do país, mas insistiu que nenhuma acusação contra ele contra pode ser provada.


Musharraf anuncia que renuncia ao cargo em discurso à nação exibido pela TV/ Reuters

O presidente paquistanês disse que não é hora para mais confrontos e que está renunciando depois de consultar seus conselheiros. Ele disse que "alegações falsas" foram feitas contra ele por pessoas que "tentaram transformar a verdade em mentiras".

Campanha de impeachment

A campanha de impeachment foi lançada na semana passada por líderes do Partido do Povo do Paquistão (PPP), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, e pela Liga Muçulmana do Paquistão Nawaz (PML-N, na sigla em inglês), liderado pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

Os dois grupos afirmavam que teriam condições de mobilizar os dois terços do Parlamento necessários para aprovar o impeachment.

Musharraf defendeu suas ações nos últimos nove anos, dizendo que liderou o Paquistão em algumas de suas piores crises desde a independência em 1947, incluindo uma crise com a Índia que quase levou à guerra e as consequências dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, que deu início à chamada guerra contra o terror.

Ele disse ainda que nos últimos oito meses, desde que deixou de exercer os poderes do Executivo, a economia do Paquistão vem se deteriorando.

Aliado dos EUA

Musharraf, ex-comandante do Exército e um aliado-chave dos Estados Unidos na chamada guerra contra o terror, chegou ao poder através de um golpe de Estado sem violência em 1999.

No ano passado, ele foi forçado a deixar o controle das Forças Armadas. A imagem pública de Musharraf ficou prejudicada depois que ele demitiu o Ministro da Justiça e quase 60 juízes para evitar que eles declarassem sua reeleição como presidente inválida.

Os partidos de oposição chegaram ao governo de coalizão em fevereiro depois de uma vitória esmagadora das urnas, enfraquecendo ainda mais o governo de Musharraf.

Mas analistas acreditam que ele ainda tem bastante influência sobre os militares e a reação do grupo ao anúncio desta segunda-feira permanecerá importante.

População comemora

AP
População comemora com tiros para o alto
População comemora com tiros para o alto
Inúmeros paquistaneses saíram às ruas para manifestar sua alegria imediatamente após o anúncio de demissão do presidente Pervez Musharraf.

"Decidi pedir demissão". Assim que o ex-general, no poder desde seu golpe de Estado sem violência em 12 de outubro de 1999, pronunciou esta frase, os paquistaneses começaram a gritar de alegria em todas as grandes cidades do país, em manifestações organizadas de última hora para escutar, na rua, seu discurso à nação.


"A nação está muito feliz", gritava Saba Gul, estudante universitário de Lahore, dançando pelas ruelas da cidade velha. Todos à volta dele se abraçavam calorosamente. Eles trocavam guloseimas, um gesto tradicional que acompanha todas as celebrações no Paquistão.

Em Peshawar, a grande cidade do noroeste, perto das zonas tribais onde o exército lançou recentemente uma ofensiva contra os talibãs e os combatentes da Al-Qaeda, os manifestantes atiraram com kalachnikov para o alto, pontuando os gritos hostis contra Musharraf.


Mapa do Paquistão

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* Com EFE, AFP e BBC

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