Musharraf estaria disposto a renunciar a poderes em troca de cobertura legal

Islamabad, 3 mai (EFE).- O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, estaria disposto a renunciar a seus poderes de dissolução do Parlamento e afastamento do primeiro-ministro em troca de cobertura legal para suas ações durante o estado de exceção, disse hoje uma fonte da residência presidencial.

EFE |

A fonte, citada pela rede privada "Dawn", acrescentou que a renúncia a estes poderes por Musharraf aconteceria dentro do artigo 58 da Constituição paquistanesa, relativo à cessão de poderes presidenciais.

Segundo a "Dawn", Musharraf mostrou esta disposição após ter mantido várias reuniões secretas com dirigentes do Partido Popular do Paquistão (PPP), liderado por Asif Ali Zardari.

No entanto, para a cessão de poderes, Musharraf exigiu a condição de receber cobertura legal para todas as ações tomadas como chefe do Exército, após declarar o estado de exceção, em 3 de novembro do ano passado.

Nos últimos dias, o PPP insistiu em que quer uma "relação de trabalho" com Musharraf, mas o líder da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), Nawaz Sharif, voltou a defender nesta sexta-feira uma aliança entre os partidos para forçar a saída do presidente.

Musharraf foi reeleito em outubro de 2007 em seu cargo para os próximos cinco anos.

Segundo a fonte citada pela "Dawn", o presidente também concorda com a restituição em seus cargos dos juízes do Tribunal Supremo que foram afastados por ordem dele durante o estado de exceção.

Após manter várias reuniões em Dubai com Zardari, Sharif anunciou ontem que os dois chegaram a um acordo para restituir os juízes em seus cargos, através de uma resolução parlamentar que será votada em 12 de maio.

Zardari defende que os atuais juízes, empossados após a destituição dos anteriores, permaneçam em seus postos.

Os colaboradores de Musharraf estão convencidos de que os juízes não podem ser restaurados através de uma resolução parlamentar, e que é necessária a aprovação de uma reforma constitucional por dois terços das duas câmaras do Parlamento. EFE igb/an

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