Musharraf deve renunciar para evitar impeachment, diz NYT

NOVA YORK - O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, deve renunciar ao cargo nos próximos dias, para não enfrentar um possível impeachment no Parlamento, informou nesta quinta-feira o jornal The New York Times.

Redação com agências internacionais |

Os detalhes da saída de Musharraf ainda estão em discussão, de acordo com a reportagem .

"Musharraf não vai nem enfrentar um impeachment nem será processado", disse uma fonte citada por outro jornal americano, o "Wall Street Journal". O líder paquistanês deve deixar a presidência quando conseguir um acordo garantindo sua imunidade em processo futuros. "Esperamos um grande desenvolvimento nas próximas 48 horas", disse a fonte ao WSJ.

A renúncia é esperada para ocorrer antes da próxima semana, disse um funcionário importante do Paquistão, ligado ao partido da coalizão de governo Liga-N, islâmico moderado. Já um político graduado do Partido do Povo do Paquistão, da coalizão de governo, disse que o presidente deixará o cargo nas próximas 72 horas.

Pedido de "reconciliação"

Arquivo/US
Pervez Musharraf, presidente do Paquistão
Pervez Musharraf,
presidente do Paquistão
Musharraf, que se encontra sob uma crescente pressão para renunciar, defendeu nesta quinta a reconciliação dos paquistaneses para enfrentar os problemas econômicos do país e os militantes islâmicos.

O apelo de Musharraf, no entanto, não produziu aparentemente efeito nenhum sobre os esforços da coalizão governista para tirá-lo do poder. Membros dessa coalizão, liderada pelo partido da primeira-ministra assassinada Benazir Buttho, disseram que o procedimento de impeachment continuava a avançar.

O líder, em um discurso feito no Dia da Independência e transmitido por canais de TV, não se referiu nem aos planos da coalizão governista para tirá-lo do poder e nem aos apelos para que renuncie.

"Se desejamos colocar nossa economia no caminho certo e combater o terrorismo então precisamos da estabilidade política. A menos que tenhamos estabilidade política, acho que não conseguiremos enfrentá-los da forma adequada", disse.

Crise política

Musharraf encontra-se no centro de uma crise política iniciada no ano passado e responsável por deixar os EUA e seus aliados preocupados com a estabilidade do Paquistão, um Estado islâmico armado com bombas nucleares e cujo território vem sendo usado como esconderijo por líderes da Al-Qaeda.

O presidente subiu ao poder em 1999 por meio de um golpe, mas ficou isolado depois de os aliados dele terem perdido as eleições de fevereiro. Há muitos boatos sobre a possibilidade de Musharraf renunciar para evitar o impeachment. O porta-voz dele, no entanto, rebateu esses rumores.

O clima de insegurança deixou nervosos os investidores. A rúpia caiu mais uma vez diante do dólar, na quarta-feira, e os mercados de ação atingiram o menor patamar dos últimos dois anos. Os mercados financeiros não funcionaram na quinta-feira.

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Com Reuters

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