Museu sobre Pinochet causa polêmica no Chile

Um museu dedicado à vida e ao trabalho do ex-líder militar do Chile, general Augusto Pinochet, foi inaugurado na capital do país, Santiago, reavivando o debate sobre como ele deveria ser lembrado.

BBC Brasil |

Os visitantes podem ver o escritório do general morto, sua escrivaninha, uniformes, medalhas e até sua grande coleção de soldados de brinquedo, representando todas as divisões do Exército chileno em que ele serviu durante sua longa carreira militar.

Há um busto de bronze de Pinochet junto aos de outros membros de sua junta militar de quatro homens, que tomou o poder em 1973 ao derrubar, por meio da violência, o governo socialista do presidente Salvador Allende, eleito democraticamente.

Os itens em exibição incluem o quepe negro militar de Pinochet, espadas, moedas e presentes recebidos dos ex-presidentes americanos Richard Nixon e Ronald Reagan.

"Nós queremos permitir que os chilenos conheçam Pinochet, o homem, o general, o presidente, e a melhor maneira de fazer isto é abrir um pequeno mostruário de seus artigos pessoais", disse Luis Cortes Villa, diretor-executivo da Fundação Presidente Pinochet, que supervisiona o museu.

"Os estrangeiros costumam pensar que seu governo ocorreu em isolamento, que as pessoas não gostavam dele. Bem, aqui está a prova do contrário."

O museu abriu as portas ao público na segunda-feira, depois de inaugurado pela viúva do ex-presidente, Lucia Hiriart de Pinochet, na sexta-feira. Todas as visitas contam com guia e o museu já tem reservas feitas para várias semanas.

'Diferenças'

Alguns chilenos manifestaram desagrado com a idéia de um museu em honra a um homem cujo governo se tornou conhecido no mundo todo por abusos dos direitos humanos.

Cerca de 3 mil opositores políticos de Pinochet foram mortos ou "desapareceram" durante seu regime de 17 anos. Milhares de outros foram torturados ou acabaram no exílio.

Pinochet foi acusado de crimes contra os direitos humanos, mas nunca foi julgado. Ele morreu em dezembro de 2006.

Mas enquanto alguns opositores de Pinochet condenaram o museu, outros consideram este um sinal encorajador de que o Chile está conseguindo lidar com seu passado sombrio.

"Eu acho que isto é uma coisa positiva", disse Pedro Matta, preso e torturado em 1975 em Villa Grimaldi, o mais notório dos campos de detenção de Pinochet em Santiago.

"Isto mostra que o país mudou muito desde a época da ditadura", disse ele à BBC.

"O fato de que eles abriram um museu para Pinochet mostra que estes dias nós somos livres para expressar nossas diferenças, e eu não tenho medo de diferenças."

Na mesma semana em que o museu foi inaugurado, a presidente socialista do Chile, Michelle Bachelet, que também foi detida em Villa Grimaldi, colocou a pedra fundamental no que vai ser no futuro um museu para os direitos humanos em Santiago.

O legado de Pinochet continua muito debatido no Chile. Muitos consideram-no um ditador brutal que oprimiu seu próprio povo, mas outros acreditam que se trata de um herói que salvou o Chile do comunismo e lançou as bases para a estabilidade política e econômica que o país tem hoje.

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