Museu nega retorno de Nefertiti ao Cairo e reitera propriedade alemã

Berlim, 18 dez (EFE).- O Museu Egípcio de Berlim negou hoje taxativamente que esteja negociando com as autoridades egípcias o possível retorno do busto de Nefertiti ao país do Nilo, embora confirmou uma iminente viagem oficial de sua diretora, Friederike Seyfried, ao Cairo.

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As informações que falam que a diretora do Museu Egípcio negocia atualmente a devolução de Nefertiti com o diretor-geral da Administração de Antiguidades Egípcia, Zahi Hawass, "precisam de toda base", assinalou hoje o museu berlinense em comunicado.

A nota explica que a visita de Friederike Seyfried ao Cairo tem como objetivo tratar com Hawass sobre projetos comuns e entregar uma cópia dos documentos originais de 1913 sobre a descoberta e aquisição do busto de Nefertiti por parte da Sociedade Oriental Alemã.

"Nunca existiu um pedido oficial de devolução por parte do Estado egípcio. Os documentos demonstram claramente que o Estado prussiano comprou legalmente o busto e que não existe direito de reivindicação por parte do Egito", ressalta o comunicado.

Além disso, destaca que Berlim estuda a possibilidade de ceder temporariamente para uma exposição o busto de Nefertiti ao Cairo, embora isso dependa dos resultados de uma análise sobre o estado da peça arqueológica e os riscos de seu transporte ajudariam para sua conservação.

A nota do museu lembra que o busto de Nefertiti foi descoberto em 1912 durante as escavações científicas em Tell el-Amarna que foram autorizadas pelas autoridades do Egito.

Acrescenta que as escavações foram possíveis graças ao financiamento por parte do comerciante e colecionadora de arte berlinense James Simon e de sua execução se encarregou o professor Borchardt, do Instituto Imperial Alemão de Ciências Egípcias da Antiguidade.

O comunicado destaca que o acordo com a parte egípcia contemplava uma divisão das peças, como era de costume na época, para compensar o financiamento da operação.

Igualmente explica que para realizar a distribuição igualitária, o acordo contemplava preparar dois lotes de valor similar e que foi a parte egípcia a primeira a escolher com base em uma lista minuciosa em todos os objetos encontrados.

O Museu Egípcio de Berlim explica em sua nota que das peças mais importantes existiam inclusive fotografias para certificar a beleza e qualidade dos objetos.

Finalmente lembra que na hora de escolher os lotes todas as caixas abertas foram colocadas para que pudesse comprovar o conteúdo, por isso que "não pode falar de um engano na hora de fazer a distribuição".

O incomum e taxativo comunicado do Museu Egípcio de Berlim, integrado pelo recém reinaugurado "Neues Museum" de arqueologia e história antiga, sai à passagem de informações procedentes do Egito nas quais se fala do possível retorno ao Nilo do prezado busto do faraó egípcio. EFE jcb/dm

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