Museu de Tóquio recebe Tropicália e arte brasileira

O Museu de Arte Contemporânea de Tóquio (MOT) abriga até o dia 12 de janeiro uma exposição dedicada à arte brasileira, que inclui uma homenagem ao Tropicalismo ¿ um dos movimentos artísticos mais marcantes da história do país. A exposição Neotropicalia - When Lives Become Form (Neotropicália - Quando Vidas se Tornam Forma, em tradução livre) ocupa quatro pisos do espaço com 160 obras de 27 artistas brasileiros.

BBC Brasil |

Para receber a mostra, a fachada do museu japonês foi revestida por um painel multicolorido de 19 metros de largura e nove de altura da carioca Beatriz Milhazes.

"A idéia da exuberância, do exagero, fez com que eu trabalhasse a cor potencializando essa questão do conflito. Daí a sucessão de combinações que dá aquela intensidade visual", comentou a artista plástica, que acaba de lançar um livro em Londres e já se prepara para apresentar seu trabalho na Fundação Cartier-Bresson, em Paris, no início de 2009.

Bonecos e parangolés

Entre trabalhos assinados por artistas como Arthur Bispo do Rosário, Tomie Ohtake, Vik Muniz e Lygia Clark, um dos destaques são as peças de Os Gêmeos, referência mundial na arte do grafite.

No Japão, os bonecos amarelos da dupla Gustavo e Otávio Pandolfo, de São Paulo, ganharam um toque de personalidade extra ao lado de símbolos como o ofurô (banheira no estilo japonês), o peixe fugu (baiacu) e o Ultraman, um dos super-heróis nipônicos mais conhecidos no exterior.

O momento mais interativo da exposição fica por conta dos "Parangolés" de Hélio Oiticica, uma espécie de capa de um dos maiores expoentes do Tropicalismo.

Além de poder experimentar vestimentas, o visitante também encontra fones de ouvido presos à parede para ouvir as músicas da época, de artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Um labirinto de caixas coloridas, por sua vez, representa a Tropicália "penetrável" do artista, misturando cores e sons em uma só instalação.

Fotos e texturas

Ainda carregado pela temática brasileira, o MOT promove paralelamente uma exposição dos fotógrafos Daido Moriyama e Miguel Rio Branco.

As fotos contrastam um Japão de cores com um Brasil totalmente preto e branco, de ruas esburacadas, cartazes nas paredes e sujeira nos centros urbanos.

Já o estilista japonês Issei Miyake transpôs as cores da Amazônia para as peças de sua coleção e revelou uma infinidade de tons de verde, que podem ser vistos no espaço "Color Hunting in Brazil" ("Caçando Cores no Brasil", em tradução livre).

Cadeiras dos irmãos Campana inspiradas no tema "sushi" completam a ambientação do local.

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