Muro de Berlim passa por renovação para brilhar no 20º aniversário da queda

Nuria Vicedo. Berlim, 8 nov (EFE) - A East Side Gallery, o trecho mais longo e colorido conservado do famoso Muro de Berlim (1961-1989), passa por um milionário programa de renovação artística que demorará 12 meses, para ficar pronto para o 20º aniversário do fim da divisão da cidade. Os últimos vestígios do muro de concreto que separou a cidade e foi símbolo indiscutível da Guerra Fria encaram no 19º aniversário de sua queda, no próximo domingo, um profundo estado de deterioração e cheios de pichações espontâneas que tiram o brilho de seus conhecidos grafites. É terrível que um símbolo vivo da história de Berlim e da Alemanha tenha se deteriorado até esse ponto, é preciso devolver a ele sua autenticidade e brilho, afirmou hoje à Agência Efe o teuto-iraniano Kani Alavi, promotor e coordenador do projeto. Alavi conseguiu envolver em seu programa de restauração 113 dos 118 artistas que já retrataram com seus pincéis a abertura de Berlim Oriental -cinco deles já morreram- e outros cinco criadores que colaboraram nas decorações iniciais e assumirão o papel desses companheiros. Após o ato comemorativo da queda do muro, previsto para domingo, o primeiro dos artistas, com pincel nas mãos, iniciará a restauração das pinturas primitivas -praticamente irreconhecíveis-, em um lance de 45 metros de comprimento. A climatologia e as baixas temperaturas do inverno nos impedirão de trabalhar por mais de um mês na East Side Gallery. Acredito que retomaremos ...

EFE |

Alavi, que está entre os artistas que imortalizaram sobre o concreto a nova liberdade berlinense, define toda a operação como um "verdadeiro desafio logístico", principalmente pela coordenação dos trabalhos e dos criadores, mas destaca que é algo "que devia ser feito".

Já em 2000, Alavi reuniu mais de 500 mil euros para restaurar parte da East Side Gallery, mas, agora, oito anos depois, esses mesmos lances voltam a mostrar sinais de deterioração.

O artista, que criticou insistentemente a falta de apoio institucional, se referiu à "falta de compromisso" das autoridades locais e explicou que sua devoção pelo projeto o levou a reunir agora mais de dois milhões de euro entre fundos locais, estaduais, europeus e contribuições privadas.

No entanto, calcula que todo o projeto requereria um desembolso de entre 2,5 e 3 milhões de euros.

"Há anos, as autoridades me diziam que estava louco, que isso não era possível. Por isso, preferi dar a particulares e empresas privadas a possibilidade de salvar da destruição um monumento tão importante historicamente quanto este", indicou.

A maioria dos grafites originais estão muito deteriorados, entre eles o famoso beijo entre o antigo líder da Alemanha Oriental Erich Honecker e o soviético Leonid Brezhnev, respectivamente, no início dos anos 1980.

Foi uma das imagens emblemáticas da East Side Gallery, mas hoje em dia só está visível nas lojas de recordações adjacentes, enquanto o original é exibido em estado lamentável.

A East Side Gallery é um espaço ao ar livre e, portanto, gratuito, de 1,3 quilômetro de comprimento e às margens do rio Spree, no distrito de Friedrichshain e um dos lugares de culto de milhões de turistas todos os anos.

Construído provisoriamente na noite de 13 de agosto de 1961, quando a cidade foi dividida com arame farpado, a chamada "faixa da morte" chegou a alcançar os 165 quilômetros entre o lance que partiu diametralmente a cidade e o que isolou todo o setor oeste, para isolá-lo da região circundante de Brandeburgo.

Ao todo, 125 pessoas morreram ao tentar cruzar o muro, e milhares de famílias ficaram partidas entre este dia e 9 de novembro de 1989, a noite em que o regime da República Democrática Alemã (RDA) cedeu à pressão e abriu o muro. EFE nvm/db

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