SÃO PAULO - Mesmo com a crise financeira, a queda na circulação da maiora dos jornais e o pedido de http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/12/08/grupo+tribune+company+pede+concordata+nos+eua+3162992.html target=_topconcordata feito pelo grupo Tribune, que edita dois dos maiores diários dos EUA, o empresário Rupert Murdoch, de 77 anos, segue otimista. Diferentemente dos que vislumbram o fim do mundo, eu acredito que os jornais vão alcançar novas alturas, disse em uma palestra para uma série da rádio australiana ABC.

O empresário Rupert Murdoch é o acionista majoritário e executivo-chefe da News Corporation , um dos maiores conglomerados de mídia do mundo. A "News Corp" inclui entre seus ativos o estúdio cinematográfico Twentieth Century Fox , a rede Fox de televisão, o portal MySpace e dezenas de jornais nos EUA, no Reino Unido e na Austrália. Entre as principais publicações de seu grupo estão os jornais americanos Wall Street JournalNew York Post e os britânicos The Sun e The Times .

Na palestra "Uma Era Dourada para a Liberdade", Murdoch vê um futuro digital para os jornais e enxerga a nova era tecnológica como uma oportunidade, e não uma ameaça. Segundo o discurso do empresário, traduzido na edição desta quarta-feira da "Folha de S. Paulo" , "estamos passando dos jornais publicados em papel para os jornais como marcas. A forma de transmissão pode mudar, mas o público potencial pode multiplicar-se muitas vezes".


Rupert Murdoch é um magnata da mídia / Getty Images

"Os leitores querem notícias quanto sempre quiseram. (...) O desafio consiste em usar a marca de um jornal e, ao mesmo tempo, permitir que os leitores personalizem o noticiário das maneiras que eles quiserem", explicou. Murdoch afirma que, independente do meio, o veículo tem que se firmar como uma marca "conhecida por sua qualidade". "Em tudo o que fazemos, vamos transmiti-lo das maneiras que mais correspondem às preferências dos leitores".

Na visão do empresário, o negócio jornalístico não deve mais ficar preso ao jornal de papel. "É verdade que nas próximas décadas as versões impressas de alguns jornais vão perder circulação. Mas, se os jornais derem aos leitores informações confiáveis, veremos ganhos na circulação -em nossos sites, em nossos feeds de RSS, em e-mails transmitindo notícias e anúncios customizados, nas notícias enviadas a celulares".

Em uma crítica aos jornais e jornalistas que enxergam a internet como uma ameaça, Murdoch diz que "não são os jornais que vão ficar obsoletos. São alguns dos editores, repórteres e proprietários de jornais que estão esquecendo do bem mais precioso de um jornal: o vínculo com seus leitores".

O papel dos blogs

Murdoch também reforça o papel dos blogs independentes neste novo cenário da imprensa. "Antigamente um punhado de editores podia decidir o que era notícia e o que não era. Eles agiam como uma espécie de semideuses. Se eles publicassem uma história, ela virava notícia. Se ignorassem o fato, era como se nunca tivesse acontecido".

O empresário afirma que, com a democratização da internet, os editores estão perdendo o poder. "A internet dá acesso a milhares de novas fontes que cobrem coisas que um editor poderia deixar passar. Se você não se satisfaz com isso, pode começar seu próprio blog, cobrindo e comentando as notícias você mesmo".

"Mas acho que não serei desmentido sobre um ponto. O jornal, ou um primo eletrônico muito próximo dele, sempre estará entre nós. Ele não será jogado diante de sua porta pela manhã como é hoje. Mas o som que fará ao chegar vai continuar a ecoar na sociedade e no mundo", concluiu.

Leia mais sobre Rupert Murdoch

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.