Murdoch pede desculpas por charge ofensiva a Obama

Nova York, 24 fev (EFE).- O magnata Rupert Murdoch, presidente do maior conglomerado de comunicação do mundo, pediu desculpas pessoalmente pela charge publicada no jornal New York Post que foi influenciada como uma alusão racista ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

EFE |

"Como presidente do New York Post, sou o principal responsável pelo que publicamos. Na semana passada cometemos um erro com uma charge que ofendeu muitos. Hoje quero pedir desculpas pessoalmente a todos os leitores que se sentiram incomodados e até mesmo insultados", assegurou Murdoch.

A charge, publicada na quarta-feira, foi interpretada pelos manifestantes como uma alusão ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, responsável pelo plano de estímulo econômico que acaba de ser aprovado no Congresso.

No entanto, o diário nova-iorquino insiste em que o desenho fazia alusão apenas a dois assuntos da atualidade: o plano de estímulo econômico e a morte a tiros de um chimpanzé que atacou uma mulher na segunda-feira passada em Stamford (Connecticut).

Porém, o animal é constantemente usado para ofender os negros, o que gerou protestos. Além disso, a página anterior tinha uma foto de Obama assinando o plano de estímulo econômico.

Mesmo depois da explicação oficial, os protestos contra a charge continuaram, especialmente entre a comunidade afro-americana de Nova York, incluindo o reverendo e ativista Al Sharpton, que entre outras iniciativas convocou uma manifestação em frente à sede da News Corporation, grupo que pertence ao magnata.

Murdoch prometeu hoje que, a partir de agora, o jornal nova-iorquino trabalhará de forma mais "sensível" para estar em maior "sintonia com a sensibilidade da comunidade" de seus leitores.

"Nos últimos dias, falei com bastante gente e entendi melhor o dano que a charge causou. Ao mesmo tempo, conversei com os editores sobre a situação e posso assegurar sem dúvida nenhuma que sua intenção era brincar com uma lei mal escrita. Não pretendíamos ser racistas, mas infelizmente foi interpretado assim por muitos", explicou.

A desculpa de Murdoch, assim como a do jornal, que também publicou há alguns dias um editorial ao respeito, coincide com a notícia que Peter Chernin, braço direito do magnata na News Corporation, está deixando a firma.

O número dois da News Corporation há 12 anos e com duas décadas de trabalho na empresa, comunicou a Murdoch sua decisão de deixar a firma ao fim de seu contrato, em 30 de junho.

O cargo pode ser ocupado pelo próprio magnata australiano, de 77 anos, já que ambos trabalharão juntos nos próximos meses para assegurar uma transição tranquila.

Em nota, a empresa explicou que as divisões de televisão e de produção de cinema (Fox) que dependiam de Chernin durante os últimos 12 anos passarão a ser supervisionadas diretamente por Murdoch. EFE mgl/dp

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