Murdoch pede desculpas em anúncio publicado em jornais britânicos

Na sexta-feira, a executiva-chefe do grupo News International (subsidiária da News Corporation), Rebekah Brooks, deixou seu cargo

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Rupert Murdoch, o bilionário dono do conglomerado de mídia News Corporation, pediu desculpas em anúncios publicados neste sábado em jornais britânicos pelos "graves erros" cometidos pelo tabloide News of the World, centro do escândalo de grampos telefônicos no país. Além de pedir desculpas "pelos graves erros que ocorreram", Murdoch diz sentir muito por não ter agido mais rapidamente para "resolver as coisas".

AFP
Magnata australiano se desculpou pela polêmica das escutas ilegais em seus veículos

"Eu entendo que simplesmente pedir desculpas não é suficiente. Nosso negócio foi baseado na ideia de que uma imprensa livre e aberta deveria ser uma força positiva na sociedade. Nós temos de cumprir essas expectativas." "Nos próximos dias, quando tomarmos novas medidas concretas para resolver essas questões e consertar os danos que elas causaram, vocês ouvirão mais notícias de nossa parte", diz a declaração, assinada "Atenciosamente, Rupert Murdoch".

Demissões

Na sexta-feira, a executiva-chefe do grupo News International (subsidiária da News Corporation), Rebekah Brooks, deixou seu cargo devido ao escândalo. Um pouco mais tarde, um dos mais altos executivos do grupo News Corporation, o angloamericano Les Hinton, anunciou estar deixando a empresa. Brooks foi editora do tabloide News of the World entre 2000 e 2003, época em que o jornal teria usado grampos telefônicos ilegais para conseguir notícias exclusivas, e era funcionária do grupo havia 22 anos.

Já Hinton chefiou o grupo News International de 1995 a 2007 e trabalhou com Rupert Murdoch por mais de 50 anos. Ambos os executivos alegam que não sabiam dos métodos utilizados por repórteres para conseguir informações na época, mas disseram acreditar que o pedido de demissão era a coisa certa a fazer neste momento. Brooks deve comparecer junto a Rupert Murdoch e seu filho, James Murdoch, perante um comitê do Parlamento britânico, na terça-feira, para responder perguntas de parlamentares a respeito do escândalo.

Fechamento

Murdoch determinou na semana passada o fechamento do tabloide News of the World, o mais vendido da Grã-Bretanha aos domingos, em resposta ao escândalo das escutas telefônicas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão. Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

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