Murdoch descarta renúncia de executiva vinculada a grampo britânico

Magnata da mídia defende líder da divisão britânica da News Corp. após denúncias de escutas telefônicas de famílias de vítimas de ataques de 2005

iG São Paulo |

AP
Foto de 24/05/2011 mostra o magnata da mídia Rupert Murdoch em Paris, França
O magnata Robert Murdoch quebrou o silêncio sobre o escândalo em torno de escutas telefônicas ilegais feitas pelo tabloide britânico News of the World, parte de seu conglomerado midiático, afirmando que as alegações de que sua equipe grampeou telefones e pagou a polícia em troca de informações eram "deploráveis e inaceitáveis". Ele acrescentou que estava "comprometido em colaborar totalmente com as questões".

De acordo com a rede de TV americana CNN, o empresário australiano dono da News Corporation (News Corp) divulgou um comunicado depois de acusações de que o jornal teria invadido os telefones de famílias de vítimas dos atentados de 7 de julho de 2005 em Londres. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, classificou o caso de "absolutamente repugnante".

"Nossa empresa deve cooperar por completo e de forma pró-ativa com a polícia em todas as investigações, e é exatamente isso que a New International tem feito e continuará fazendo sob a liderança de Rebekah Brooks", disse Murdoch em comunicado sobre a empresa que detém o tabloide News of the World. Ex-editora do "News of the World", Rebekah é atualmente executiva-chefe da News International, divisão responsável pelos jornais britânicos da News Corp.

Também vieram à tona alegações de que o tabloide dominical teria feito pagamentos à polícia britânica em troca de informações. Os proprietários do tabloide entregaram à polícia e-mails que indicariam que o pagamento teria sido autorizado pelo então editor do jornal, Andy Coulson.

O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, acusou Cameron de ter cometido um erro de julgamento "catastrófico" ao nomear Coulson para liderar sua equipe de mídia. Miliband disse também que a investigação deve começar imediatamente e não esperar pela conclusão do inquérito policial.

Escândalo

Graham Foukes, cujo filho morreu em um dos atentados realizados em 2005, no metrô de Edgware, foi informado pela polícia que seu nome constava de uma lista de pessoas que teriam tido seus telefones invadidos.

Em entrevista ao programa Today, da BBC, Foukes disse que a ideia de que as conversas dele e sua família estavam sendo monitoradas após o ataque que tirou a vida de seu filho é ''horrenda'' e afirmou que gostaria de ter "uma conversa" com Murdoch.

''Após as explosões em Londres, nenhuma autoridade nos contatou ou qualquer outra família (das vítimas) por várias dias. Estávamos usando o telefone loucamente para tentar obter informação a respeito de David e saber onde ele estava. Se ele estava em um hospital ou em outro lugar. E falamos muito intimamente a respeito de temas pessoais. A ideia de que esses caras poderiam estar escutando tudo isso é horrenda'', afirmou.

Indagado se teria alguma mensagem a dar a Murdoch, Foukes acrescentou: "Gostaria muito de encontrá-lo e ter uma conversa aprofundada a respeito de responsabilidade e do poder que ele tem e como ele deveria ser usado de forma apropriada. Gostaria muito de encontrá-lo e de ter essa conversa."

Escândalo

O escândalo a respeito de monitoramento de conversas telefônicas feitas pelo tabloide dominical surgiu em 2006, mas ganhou novo fôlego nesta semana, com a denúncia de que um detetive que trabalhava para o jornal teria grampeado o telefone celular de Milly Dowler , uma menina de 13 anos que desapareceu em 2002 e depois foi encontrada morta.

O então editor do jornal, Andy Coulson, renunciou ao comando do News of The World em 2007, após um de seus repórteres e um detetive terem sido condenados por grampear telefones de integrantes da família real britânica. No início deste ano, ele renunciou ao cargo de porta-voz do primeiro-ministro britânico, após terem surgido novas denúncias envolvendo jornalistas do News of The World e outras tentativas de invadir os telefones de políticos e celebridades.

O News of The World, que é o jornal mais vendido aos domingos na Grã-Bretanha, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares, integra a News Corp, um dos maiores conglomerados mundiais de mídia.

Os negócios do grupo envolvem TV, cinema, jornais e publicidade. A News Corporation é dona dos jornais britânicos The Sun e The Times, do americano The Wall Street Journal e da rede de TV americana Fox.

O escândalo vem gerando pressões pela demissão de Rebekah Brooks, que foi editora do "News of the World" quando teriam sido feitas as gravações do celular de Milly Dowler. Hoje, ela é executiva-chefe da News International, divisão responsável pelos jornais britânicos da News Corp.

Alguns políticos pediram o boicote ao News of The World e a montadora Ford anunciou que deixará de anunciar no jornal até a conclusão das investigações a respeito das alegações de grampo telefônico.

Com BBC

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