Especialistas no setor de saúde afirmam que os grandes desafios dos municípios brasileiros nessa área estão mudando rapidamente e que um dos principais problemas atualmente é a falta de integração entre diferentes partes do governo e de programas de prevenção. Hoje, os principais desafios dos municípios são institucionais, diz o Dr.

Claudio Robson Fracalanza, especialista em saúde pública. "Faltam ações intersetoriais. Na maioria dos municípios, os diferentes setores ainda trabalham de forma separada", afirma.

Segundo o especialista, a maior parte dos municípios ainda precisa aprender a integrar políticas em áreas como saneamento básico, coleta de lixo, canalização e tratamento de esgotos, fornecimento de água, proteção do meio ambiente e outras que estão relacionadas à prevenção e à qualidade de vida.

Muitas vezes, setores que à primeira vista não parecem diretamente relacionados à saúde acabam tendo impacto na melhoria de indicadores.

O coordenador da Unidade Técnica de Promoção da Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Dr. Fernando Rocabado, afirma que o fornecimento de água tratada e o controle de dejetos, por exemplo, podem ser uma maneira de reduzir a mortalidade infantil com menos dinheiro do que seria gasto em internações hospitalares.

"Municípios que concentram tudo apenas em serviços de saúde estão limitados", diz Rocabado.

Avanços
Especialistas afirmam que, apesar dos problemas, a saúde pública nos municípios brasileiros evoluiu muito nos últimos anos.

Avanços da medicina, campanhas de vacinação, maior acesso a serviços de saúde e até o aumento de escolaridade da população provocaram profundas transformações no setor de saúde.

"Antes, a principal causa de mortalidade eram as doenças infecto-contagiosas. Hoje, há outras causas, como doenças cardiovasculares, cânceres, trânsito e violência", diz a Dra. Rosilda Mendes, coordenadora do Centro de Pesquisas e Documentação em Cidades Saudáveis (Cepedoc) da USP.

A expectativa de vida também vem aumentando no país. Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer subiu 3,4 anos de 1997 a 2007, passando para 72,7 anos.

De acordo com Fracalanza, com o aumento da expectativa de vida veio a necessidade de reduzir gastos no tratamento de doenças crônicas. Segundo ele, a melhor forma de fazer isso é com o trabalho de prevenção.

O especialista diz que os municípios deveriam investir em projetos de incentivo à atividade física, dança, saúde mental e outras formas de produção e prevenção de saúde, com uma visão mais ampla e integrada.

Entre as soluções sugeridas pelo especialista estão maior flexibilidade na hora de investir os recursos e capacitação contínua dos profissionais.

Segundo o especialista, muitos dos municípios que hoje ostentam bons indicadores na área de saúde conseguiram isso graças a um investimento de longo prazo, não apenas em hospitais e laboratórios, por exemplo, mas também em formação de capital humano.

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