Campanha levanta R$ 840 mil para ajudar operário que caminha 34km para trabalhar

Por BBC |

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Apesar dos percalços, James Robertson, apelidado de andarilho 'olímpico' por um jornal local, nunca se atrasou em 12 anos de trabalho em fábrica

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Um operário americano que percorre diariamente 34 quilômetros a pé para ir ao trabalho e voltar para casa já recebeu mais de R$ 840 mil em doações, após sua história ser publicada em um jornal local.

Homem anda 34 quilômetros por dia para trabalhar nos EUA

James Robertson caminha cerca de 34 quilômetros por dia para ir trabalhar
Reprodução/Twitter
James Robertson caminha cerca de 34 quilômetros por dia para ir trabalhar

James Robertson tem 56 anos de idade e trabalha em uma fábrica em Rochester Hills, um subúrbio de Detroit, no Estado de Michigan.

Ele consegue fazer parte do trajeto de ônibus, mas tem de andar o resto do caminho que não é coberto pelo sistema de transporte.

Sua história foi publicada no domingo pelo jornal Detroit Free Press, que o apelidou de andarilho "olímpico" - o percurso de uma maratona olímpica é de 42 km. Desde então, as doações começaram a chover - houve até ofertas de carros.

Mas o salto veio quando Evan Leedy, um estudante universitário de 19 anos, criou um site de financiamento coletivo com o objetivo de arrecadar US$ 5 mil (R$ 13,7 mil) em quantias que podiam variar entre US$ 1 e US$ 100.

A iniciativa fez um sucesso tão estrondoso que, nesta sexta-feira, o valor levantado já superou US$ 305 mil (R$ 840 mil).

"Você está falando sério?", foi como reagiu Robertson ao ser informado pelo jornal do volume arrecadado só no primeiro dia (US$ 30 mil).

O operário se disse lisonjeado com a atenção e surpreso ao constatar que estranhos possam ser tão generosos.

Uma loja de veículos lhe ofereceu um carro novo, enquanto outros doadores ofereceram bicicletas ou se voluntariaram para levá-lo de carro ao trabalho.

Assiduidade padrão

Robertson começou a fazer sua caminhada diária para o trabalho, a fábrica Schain Mold e Engineering, onde atua como montador de carros, quando seu veículo parou de funcionar, há dez anos. Nunca se atrasou em 12 anos de serviço.

"Eu defino o padrão de assiduidade no trabalho com base neste homem", disse o gerente da fábrica, Todd Wilson. "Eu digo: se esse homem consegue chegar aqui, andando todas essas milhas debaixo de neve e chuva... veja, tenho pessoas que moram a dez minutos daqui que dizem que não conseguem chegar."

Ocasionalmente, um funcionário de banco, Blake Pollock, dá caronas a Robertson. Ele costumava passar de carro diariamente pelo operário e uma vez parou para perguntar o que ele estava fazendo.

Depois que o caso ficou famoso, Pollock ofereceu ajuda a Robertson para administrar as doações.

Um esquema federal criado recentemente daria a Robertson o direito de ser apanhado em casa e levado ao seu destino final por um ônibus do sistema de transporte público de Detroit.

Mas o operário recusa a oferta, e diz que prefere que o dinheiro seja usado para beneficiar outras pessoas.

"Preferia que eles aplicassem o dinheiro em um sistema de ônibus 24 horas por dia, não em um ônibus só para mim", disse ele ao Detroit Free Press.

James Robertson, o andarilho, e Evan Leedy, o estudante que criou o site de financiamento
AP
James Robertson, o andarilho, e Evan Leedy, o estudante que criou o site de financiamento


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