Mulheres ameaçam greve de sexo contra quem votar em candidato sexista do Japão

Por iG São Paulo |

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Masuzoe, que concorre ao governo de Tóquio, declarou que menstruação impossibilita mulheres de governar

Um grupo de mulheres em Tóquio, capital do Japão, está ameaçando um "boicote de sexo" contra qualquer homem que votar em Yoichi Masuzoe em uma eleição para o governo da cidade neste fim de semana, em protesto à declaração do favorito de que a menstruação impossibilita as mulheres de governar, informou o jornal britânico Guardian.

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AP
Ex-ministro da Saúde Yoichi Masuzoe, candidato para a eleição para o governo de Tóquio, discursa na capital do Japão (25/1)

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Um grupo de campanha no Twitter autodenominado "associação de mulheres que não farão sexo com homens que votarem em Masuzoe" atraiu quase 3 mil seguidores desde seu lançamento, na semana passada.

As fundadoras, que continuam anônimas, dizem em seu perfil: "Nos posicionamos para impedir que Masuzoe, que faz declarações tão insultantes contra as mulheres, seja eleito. Não transaremos com homens que votem nele."

O ex-cientista político de 65 anos se tornou uma celebridade através de programas de TV antes de se envolver com a política em 2001. Em 1989, ele disse a uma revista masculina que não seria apropriado ter uma mulher no nível mais alto do governo porque seus ciclos menstruais as tornam irracionais.

"As mulheres não são normais quando estão menstruadas. Você não pode nem cogitar deixá-las tomar decisões críticas sobre o país (durante esse período), como ir ou não à guerra", disse.

Masuzoe tem o apoio do conservador partido governista do primeiro-ministro Shinzo Abe e deve bater seu rival mais próximo, Moriyoshi Hosokawa, um ex-primeiro-ministro que concorre em uma plataforma antinuclear, nas eleições para se tornar o governante de Tóquio. Todos os 16 candidatos são homens, com muitos deles na casa dos 60 anos ou mais velhos.

Apesar dos altos níveis de educação, muitas japonesas deixam sua carreira quando têm filhos, e continuam fortes as pressões para ser uma dona de casa. Há poucas mulheres em posições políticas importante - no gabinete de 19 membros de Abe, há apenas duas -, e as diretorias das companhias são totalmente masculinas.

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