Cidade cubana enterra homem vivo em funeral falso durante festa de rua

Por AP | - Atualizada às

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Cortejo fúnebre e viúva chorosa fazem parte do ritual, que encerra o Carnaval em Santiago de las Vegas há 30 anos

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Um vilarejo cubano encenou o velório e enterro de um homem vivo esta semana, em um animado festival que se tornou tradição e é realizado anualmente em uma pequena cidade próxima a Havana.

De manhã bem cedo, um trator anda lentamente pelas ruas da cidade puxando um reboque. Nele há um homem dentro de um caixão e um quarteto que toca músicas tropicais.

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Carmen Zamora espera o início do Sepultamento de Pachancho, festa realizada em Santiago de Las Vegas, Cuba, onde interpreta a viúva. Foto: APCubano toca pelas ruas de Santiago de Las Vegas, cidade cubana que celebra o Sepultamento de Pachoncha, festa tradicional na região. Foto: APCarmen Zamora "vela" Pachancho, interpretado por Divaldo Aguiar, durante festival cubano, em Santiago de Las Vegas. Foto: AP"Padre" dá a benção a "Pachoncha", personagem do festival Sepultamento de Pachoncha, realizado há 30 anos em cidade cubana. Foto: APCubanos carregam caixão em ônibus até o cemitério local de Santiago de Las Vegas, para celebrar o Sepultamento de Pachencho . Foto: APCriança chora por sua mãe na traseira de um trator, durante o Sepultamento do Pachoncha, festival de cidade cubana próxima a Havana. Foto: APCaixão de Pachoncha, personagem de festival da cidade cubana de Santiago de las Vegas, chega a cemitério local para o início de festa tradicional na cidade. Foto: APGrupo anima o Sepultamento de Pachoncha, festival de rua da cidade cubana de Santiago de Las Vegas. Festa acontece há 30 anos  . Foto: APHomens carregam caixão com Divaldo Aguiar, que interpreta Pachoncha, em festival de rua da cidade cubana de Santiago de Las Vegas. Foto: APEncenando o "morto", Divaldo Aguiar é colocado dentro de um jazigo, como parte de festival cubano de despedida do Carnaval, em cidade cubana. Foto: APCubanos da cidade de Santiago de Las Vegas dão rum para "ressuscitar" Pachoncha, personagem de um famoso festival de rua. Foto: APDivaldo Aguiar, que encena Pachencho, recebe dose de rum para "ressuscitar" durante festival Sepultamento de Pachencho, em cidade de Cuba. Foto: AP

Paralelamente ao cortejo há dezenas de pessoas bebendo, batendo palmas e se sacudindo com a música, enquanto uma mulher de cabelos brancos, fingindo ser a viúva, chora em alto e bom som por seu “falecido”.

“Ele era um ótimo homem”, diz Carmen Zamora chorando e enxugando as lágrimas com um lenço. “Ele está me deixando totalmente sozinha. Eu não quero que eles o enterrem. Meu Deus, não.”

Conhecida como Sepultamento de Pachencho, a festa, realizada em Santiago de las Vegas, a cerca de 20 km ao sul da capital cubana, aconteceu em todo o 5 de fevereiro dos últimos 30 anos.

Mas o clima na cidade está mais para festa de rua do que para funeral.

“Eu nunca perco esse festival. No trabalho, digo ao meu chefe para tirar o dia de folga”, disse Rebeca Morera, de 50 anos, balançando os quadris com a música. “Essa é uma tradição da cidade onde eu nasci e me criei. Não podemos perder.”

O ponta-pé inicial da festa se dá na quarta-feira com uma lenta procissão no cemitério local. Carregadores do caixão de "Pachencho", que nos outros 364 dias do ano é Divaldo Aguiar, levam o "corpo" para uma sepultura aberta e, usando cordas, colocam-no a seis palmos do chão.

Um homem disfarçado de padre em uma bata azul faz o sinal da cruz sobre a sepultura e murmura um “descansa em paz”. As pessoas tocam trombetas, tambores e jogam flores sobre o túmulo.

Em seguida, os cidadãos despejam rum na boca de Aguiar. Ele abre os olhos e caminha para fora da tumba. “Renascer é a coisa mais bonita dessa vida”, disse ele, que diz encenar o “Pachencho” por vários anos seguidos.

A tradição começou em 5 de fevereiro de 1984, quando o vilarejo teve a ideia de fazer um cortejo fúnebre para marcar o fim da temporada de carnaval. Eles escolheram o nome a partir de uma peça de teatro que havia sido encenada no então teatro da cidade.

“Pachencho” não é a representação de nenhuma pessoa, viva ou morta, explica Alvaro Hernandez, chefe de um centro de recreação e educação localizado onde era o antigo teatro municipal. “Ele é um produto da imaginação popular”, diz Hernandez.

Seguindo o "renascido milagrosamente" Aguiar, a procissão retorna ao centro e a festa continua por todo o dia. “A cidade precisa desse respiro porque a vida aqui é muito dura”, diz Yaumara Solis, 39 anos, dona de casa. “Enterrar um homem vivo não desrespeita a morte – é uma homenagem aos desafios da vida.”

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