Crianças assassinas desafiam sistema judicial e psicólogos

Por iG São Paulo |

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Matador em série mais jovem de que se tem notícia tinha 8 anos quando matou três bebês em cidade indiana

Paintsville (Kentucky), 18 de maio de 1929. Duas crianças brigam por um pedaço de ferro que seria vendido por centavos a um ferro-velho. É a antessala do Crack da Bolsa, evento que jogou a economia americana numa duradoura depressão. É, também, provavelmente o registro do assassino mais jovem da história.

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Aos 6 anos, Carl Newton Mahan foi atingido no rosto pela tira de metal lançada pelo colega Cecil Van Hoose, de 8. Contrariado, Mahan foi até a sua casa, pegou a arma do pai e atirou em Van Hoose. O crime abalou a cidade, mas não houve polêmica no julgamento, que durou cerca de 30 minutos: o menino foi condenado a uma pena de 15 anos num reformatório, mas dias depois foi autorizado a ficar com os pais.

Carl Newton Mahan, de 6 anos, matou colega de 8 com um tiro em 1929, nos EUA, mas não foi considerado responsável por seus atos. Foto: ReproduçãoAos 11 anos, Mary Bell matou duas crianças, de quatro e três anos, e passou 12 anos na prisão na Inglaterra. Foto: ReproduçãoAmardeep Sada matou três bebês na Índia, mas a família acobertou os dois primeiros crimes. Foto: ReproduçãoGeorge Stinney é o mais jovem condenado à morte nos EUA. Ele tinha 14 anos quando foi julgado pela morte de duas meninas de 11 e 8 anos, em 1944. Foto: ReproduçãoVítima de bullying na escola, Eric Smith abusou sexualmente e matou um menino de quatro em 1993, quando tinha 13 anos. Foi condenado à prisão perpétua.. Foto: ReproduçãoAos 14 anos, Lionel Tate foi o mais jovem condenado à prisão perpétua nos EUA, em 2001. Ele foi considerado culpado da morte de uma garota de seis anos.. Foto: AP PhotoEm 2009, Jordan Brown, então com 11 anos, atirou e matou a namorada do pai, que estava grávida (o bebê também morreu). Ele ainda não foi julgado nos EUA. Foto: DivulgaçãoNascido em 1896, o argentino tinha um longo histórico de torturas contra bebês. Aos 16 anos, foi condenado pela morte de quatro crianças e de tentar matar outras sete. Foto: ReproduçãoAos 14 anos, matou uma vizinha de 8 que brincava em sua casa, na Flórida. Foi condenado à prisão perpétua. Foto: ReproduçãoJesse Pomeroy (1859-1932) foi condenado à morte por dois assassinatos cometidos quando ele tinha 13 anos. Ele ainda torturou ao menos uma dúzia de crianças nos EUA. Foto: Reprodução


Crianças assassinas sempre suscitam, entre especialistas, discordâncias sobre se são vítimas ou culpadas. É o caso da britânica Mary Bell, que em 1968, cometeu dois crimescruéis quando tinha 11 anos. Ela matou, no espaço de duas semanas, dois garotos (de quatro e três anos) - foi acusada ainda de tentar estrangular quatro garotas. "Qual é o problema, todo mundo vai morrer um dia?", disse ao ser detida.

Mary Bell era filha de uma prostituta que foi abusada sexualmente por clientes da própria mãe. Nunca soube quem era seu pai. É um exemplo clássico de criança nascida e criada num ambiente conturbado e sem valores em que cometer um assassinato, para muitos psicólogos, seria o menor dos problemas.

Crimes cometidos por menores muitas vezes também provocam "panes" no sistema judicial, que não sabe como tratar determinados casos, jogando-os num buraco negro jurídico. Isso ocorreu, de certa forma, no caso de Mary Bell - não havia jurisprudência em território britânico.

Descrita como psicopata, Mary cumpriu pena por 22 anos, até 1980, quando foi libertada e iniciou uma nova vida: a justiça lhe concedeu uma ordem de anonimato. Mary ganhou um novo nome e não pode ser fotografada. Sua história está no livro Gritos no Vazio, da jornalista Gitta Sereny, até hoje a única pessoa a entrevistá-la.

Matador-mirim
Em 2007, na Índia, o caso de Amardeep Sada é único porque se enquadraria no que se convencionou chamar de serial killer. Aos 8 anos, ele confessou ter matado uma irmã, de oito meses, e uma prima e outro bebê sem relações de parentesco, ambos de seis meses. Os dois primeiros crimes (cometidos por estrangulamento) foram mantidos em segredo pela família.

Enquanto era interrogado, Amardeep apenas sorria e pedia comida. Condenado por homicídio, está internado numa instituição para menores infratores, de onde deve ser libertado em 2017, quando completar 18 anos.

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