Em 1972, 16 pessoas sobreviveram a acidente aéreo no meio do nada porque se alimentaram dos colegas mortos

Em 23 de dezembro de 1972, perdido no meio da Cordilheira dos Andes, foi resgatado o último sobrevivente do voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que transportava 45 pessoas e tinha desaparecido mais de dois meses antes, em 13 de outubro de 1972. Foram 72 dias de agonia entre o acidente e o resgate.

Sob severas condições climáticas (3.600 metros de altitude e temperaturas de até 20°C negativos), 16 pessoas sobreviveram ao acidente. Para estupor mundial, soube-se depois que eles praticaram canibalismo - se alimentaram dos colegas mortos para preservar a própria vida.


O avião Fairchild FH-227D levava a delegação de um time de rúgbi uruguaio que faria amistosos no Chile. O aparelho partiu de Montevidéu no dia 13 de outubro de 1972, mas devido às severas condições climáticas precisou fazer um desvio para atravessar a cadeia montanhosa rumo ao território chileno. Não conseguiu: a aeronave bateu numa elevação e caiu num vale no meio do nada.

Dos 45 passageiros, 12 morreram no momento do acidente e outros oito soterrados por uma avalanche ocorrida 15 dias depois do desastre. Mais nove sucumbiriam gradualmente por não resistir aos ferimentos do impacto da aeronave.

Perdidos no meio da montanha e sem comida, os sobreviventes tomaram a decisão mais difícil de suas vidas - até porque a maioria se conhecia e mantinha fortes laços de amizade. "Estávamos morrendo de fome, sem nenhuma esperança de encontrar comida. Ali só havia alumínio, plástico, gelo e pedras", relembra Fernando Parrado, um dos sobreviventes.

O próprio resgate só ocorreu depois de muita superação. Acompanhado por um colega, Parrado caminhou por oito dias escalando montanhas e cruzando vales até encontrar um modesto agricultor chileno a cavalo. O socorro ainda demoraria mais um dia.

A revelação de que os sobreviventes do acidente praticaram canibalismo ocorreu três dias após o resgate, numa reportagem do jornal El Mercurio, o principal do Chile.

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