Mundo de fantasia do Oscar também sofre com crise econômica

A crise econômica mundial já se faz sentir até mesmo no mundo da fantasia que cerca a premiação do Oscar, com a Academia organizando menos festas e os estúdios liberando menos dinheiro para o lobby de seus filmes.

AFP |

Menos festas, menos dólares e menos botox: estes são bons parâmetros para perceber de que modo a crise se esgueirou pelo tapete vermelho da maior e mais ostentadora premiação da indústria do cinema, segundo especialistas.

As estrelas desfilarão normalmente, saindo de enormes limusines trajando roupas de gala de grifes famosas e portando jóias caras. As festas que freqüentarão, no entanto, serão mais singelas e menos numerosas.

Chris Benarroch, uma das organizadoras das festas de gala da premiação, confessou que nunca havia se dado conta desta situação, que se verificou da mesma maneira na cerimônia de entrega do Globo de Ouro, em janeiro.

"Normalmente, há 10 festas" depois da cerimônia deste prêmio, mas "este ano houve apenas três. Os estúdios reduziram drasticamente seus gastos", disse Benarroch à AFP.

"Houve muitas demissões este ano nos estúdios de cinema, e isso se fez evidente nas cerimônias de premiação", afirmou.

Nos últimos anos, a festa mais disputada do pós-Oscar tem sido a da revista Vanity Fair, para a qual apenas os grandes nomes da indústria são convidados - de preferência, os que chegarão com uma estatueta nas mãos.

Graydon Carter, chefe de redação da Vaity Fair, no entanto, revelou que sua festa será "consideravelmente mais íntima" em 2009. E, como em outros casos, a organização do evento considera reutilizar a decoração de outros anos, uma verdadeira reviravolta na cultura americana do esbanjamento e desperdício.

"Normalmente, na noite do Oscar, você sobe em uma limusine e vai de festa em festa", explicou Chris Benarroch. Desta vez, porém, "se um estúdio tem um indicado, haverá um jantar em um restaurante. Uma coisa bem reduzida e exclusiva. Nada de festas de gala com mais de 500 pessoas".

Além disso, os grandes estúdios cortaram significativamente o orçamento dedicado ao lobby por seus filmes e estrelas concorrendo ao Oscar.

Segundo o especialista Tom O'Neil, "a campanha (eleitoral) habitual do Oscar para Melhor Filme rondava os 15 milhões de dólares. Este ano, o lobby para 'O curioso caso de Benjamin Button custou 10 milhões".

Até mesmo os tratamentos de beleza, como a aplicação de botox e as cirurgias estéticas, foram afetados pela crise: ao contrário do que costuma acontecer antes da festa do Oscar, este ano não houve um aumento na procura por este tipo de serviço.

"O número de operações sempre aumenta antes das premiações", afirmou Anthony Griffin, cirurgião plástico de Beverly Hills, que atende várias estrelas do cinema. "Em tais circunstâncias econômicas, a questão será saber de quanto será este aumento".

pb/ap/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG