Mundo árabe espera poucas mudanças após eleições israelenses

CAIRO - As próximas eleições de Israel apresentarão poucas mudanças positivas na relação do Estado judeu com seus vizinhos, segundo vários analistas árabes. Eles temem, no entanto, que uma vitória da direita signifique uma mudança para pior.

EFE |

Para os analistas, todos os líderes israelenses - tanto os do Partido Trabalhista como os do centrista Kadima ou do conservador Likud - representam os mesmos interesses.

Os analistas afirmam que os candidatos possuem táticas diferentes, mas coincidem em sua recusa de fazer qualquer concessão para conseguir uma paz duradoura com os palestinos.

O professor de Direito Internacional e Constitucional da Universidade do Cairo Hosam Issa disse que as eleições israelenses não servirão "para nada" em relação à linha dura adotada por Israel para alcançar a paz com os palestinos.

"Desde que os territórios árabes foram ocupados há 42 anos nenhuma concessão foi feita no processo de paz. As negociações parecem uma comédia de humor negro dirigida pelos Estados Unidos e Israel", explicou.

Issa se referia às conversas infrutíferas mantidas entre palestinos e israelenses desde a assinatura dos Acordos de Oslo em 1993, que despertaram esperanças entre os árabes sobre a resolução do conflito.

Desde Oslo, os palestinos negociaram com governos trabalhistas, do Likud e do Kadima, sem que tenham alcançado qualquer avanço, enquanto a região continua em um círculo vicioso de derramamento de sangue e violência.

Temor da direita no poder

O analista Nabil Zaki coincidiu com a visão de Issa, e prevê que a situação pode piorar no Oriente Médio se Benjamin Netanyahu, dirigente do Likud e chefe do Executivo entre 1996 e 1999, vencer as eleições.

"Se Netanyahu chegar ao poder, espero de Israel políticas mais agressivas e mais duras sobre o processo de paz, já que o líder do Likud oferece pouco aos palestinos em troca do fim do conflito", assinalou.

Pesquisas divulgadas na última sexta-feira pelos jornais "Ha'aretz" e "Yedioth Ahronoth" apontam empate técnico entre o Likud e o Kadima .

As enquetes coincidem em atribuir 27 deputados ao Likud e 25 ao Kadima, enquanto o "Jerusalem Post" aponta diferença de 26 assentos a 23 em favor da legenda de Netanyahu.

As pesquisas confirmam também a forte ascensão do partido conservador Yisrael Beiteinu, do ex-ministro Avigdor Lieberman, que obteria entre 18 e 19 cadeiras.

Zaki considerou que a possível vitória de Netanyahu pode ser um revés a qualquer esforço regional e internacional para retomar o processo de paz.

Segundo este analista, o chefe do Likud oferece aos palestinos "uma paz econômica" consistente no desenvolvimento de vários projetos nos territórios palestinos, em troca de aceitarem suas condições para pôr fim ao conflito.

Negociações de paz estagnadas

Enquanto isso, as negociações de paz continuam estagnadas, apesar da realização de conversas e reuniões internacionais, a última em novembro de 2007, em Annapolis (EUA), convocada por Washington.

Prova disso é que 2008 terminou sem a criação de um Estado palestino, como tinha anunciado o ex-presidente americano George W. Bush, e sem que se tenha avançado muito rumo a este objetivo.

Em algumas ocasiões, as negociações tiveram seus frutos, como em 1979, quando o Egito assinou a paz com Israel, ou no caso da Jordânia, o segundo país árabe a alcançar a paz com o Estado judeu, em 1994.

Mas em outras o fracasso foi evidente, como no caso da Síria, que negociou durante pouco tempo com Israel na década passada e restabeleceu conversas de paz indiretas em 2008, mas ainda não conseguiu a devolução das Colinas do Golã, ocupadas na guerra de 1967.

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