Mumbai tenta resgatar confiança no turismo com reabertura de hotéis

Nova Délhi, 21 dez (EFE).- O luxuoso hotel Trident, atacado durante os recentes atentados em Mumbai, reabriu hoje suas portas ao público em uma tentativa de recuperar a normalidade e estimular o turismo, após o massacre no qual pelo menos 170 pessoas morreram, no final de novembro.

EFE |

A abertura acontece 25 dias depois que um comando terrorista lançou ataques contra hotéis, restaurantes e uma estação de trem, entre outros alvos da capital financeira indiana e que duraram três dias.

A recepção do Trident foi o cenário de um ato ecumênico que foi acompanhada pelo chefe do Governo da região de Maharashtra, cuja capital é Mumbai, Ashok Chavan, segundo a agência "PTI".

"Os cidadãos não têm que se preocupar com a segurança. A Administração regional e a Polícia farão todos os esforços para evitar ataques terroristas no futuro", disse Chavan, após a cerimônia.

O chefe do Executivo regional acrescentou que as autoridades pediram aos hotéis que aumentem a segurança e afirmou que o Governo oferecerá tudo o que for necessário aos responsáveis pelos estabelecimentos, incluindo permissões de armas para o pessoal de segurança.

Os primeiros clientes que hoje tomaram café-da-manhã no Trident foram presenteados com flores.

"Fiquei surpreso quando recebi um cartão que dizia 'obrigado pelo seu apoio' em vez da conta", disse Devendra Sagar, o primeiro cliente de um dos restaurantes do Trident.

Segundo Sagar, os cidadãos de Mumbai têm que mostrar que não se sentem ameaçados pelo terrorismo.

"Devemos ser suficientemente valentes para frear (os terroristas) em vez de ficar assustados. Deveríamos assustá-los com nossa determinação", disse.

O presidente da companhia que administra o estabelecimento, Rattan Keswani, reconheceu ontem, em entrevista coletiva, que os atentados terão um impacto negativo no turismo "não só em Mumbai, mas em muitos lugares do país", e disse que seu grupo espera cancelamentos de até 35% das reservas.

"Confio em seu apoio. Busco a ajuda de todos para fazer o esforço de projetar Mumbai e a Índia como um destino seguro", disse Keswani.

No entanto, a reabertura do hotel Oberoi, estabelecimento também atacado pelos terroristas e situado no mesmo complexo que o Trident, levará pelo menos seis meses e os custos da reforma devem ultrapassar 400 milhões de rúpias (cerca de US$ 8,5 milhões).

Em frente ao mar Arábico e próximo a um dos pontos mais emblemáticos de Mumbai, o Portão da Índia, o hotel Taj Mahal, que também foi atacado, recebe os mais de mil convidados para a cerimônia de abertura da torre que não sofreu danos.

O presidente do conglomerado empresarial Tata, proprietário do Taj Mahal, Ratan Tata, disse em frente ao edifício que a reabertura pretende simbolizar que seu hotel pode voltar à vida "em tempo recorde".

"Queremos enviar a mensagem de que podemos estar feridos, mas não eliminados", acrescentou o empresário, em um comparecimento retransmitido pelo canal "NDTV".

No entanto, o histórico hotel, com todo seu esplendor, não abrirá totalmente suas portas até o final de 2009, informou hoje o vice-presidente da Indian Hotels, Krishna Kumar, citado pela "PTI".

Vários grupos de pessoas se reuniram nos limites do edifício, cercado por um cordão de segurança, por ocasião da abertura parcial do Taj Mahal.

No entanto, a volta à normalidade não será simples. Ontem mesmo o Governo do estado de Goa anunciou a proibição das tradicionais festas na praia de 23 de dezembro a 5 de janeiro.

"A segurança não pode estar comprometida e uma proibição das festas na praia não afetará o turismo", disse o porta-voz da Associação de Proprietários de Hotéis e Restaurantes de Goa, Gaurish Dhond.

O ministro das Relações Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, qualificou hoje os argumentos oferecidos até agora pelas autoridades paquistanesas de "não convincentes" e pediu a extradição de suspeitos procurados pela Índia.

O Governo indiano acusa o grupo fundamentalista Lashkar-e-Toiba (LeT), com base no Paquistão e que luta pela anexação da Caxemira a esse país, pelos atentados em Mumbai. EFE mb/ab/an

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