Mumbai: Ataques levam a mais uma renúncia no governo

O chefe do governo do Estado indiano de Maharashtra, Vilasrao Deshmukh, apresentou sua renúncia nesta segunda-feira, em meio a críticas sobre a atuação das autoridades durante os ataques na cidade de Mumbai, que mataram pelo menos 172 pessoas. Deshmukh disse que aguarda decisão do Partido do Congresso sobre seu futuro.

BBC Brasil |

Seu vice, R.R. Patil, deixou o cargo após a divulgação, pela mídia indiana, de que ele minimizou a gravidade dos atentados, dizendo que "incidentes pequenos ocorrem em grandes cidades".

Estas são as mais recentes baixas no governo depois dos atentados que abalaram a cidade, tida como o coração financeiro da Índia, a partir de quarta-feira passada. A autoridade mais alta a deixar o governo após a crise foi o ministro do Interior indiano, Shivraj Patil, que entregou o pedido de renúncia no domingo e assumiu a "responsabilidade moral" pelos atentados.

O conselheiro de Segurança Nacional, M.K. Narayanan, também se dispôs a deixar o seu cargo, mas o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, preferiu mantê-lo no governo.

Revisão
O correspondente da BBC em Mumbai, David Loyn, disse que as renúncias podem não ser as últimas, diante da indignação pública causada pelos atentados.

Centenas de indianos realizaram protestos no domingo contra o governo indiano após informações de que a administração já tinha recebido alertas sobre os atentados em Mumbai e não tomou nenhuma medida para evitá-los.

Os relatos sugerem que se sabia até que os responsáveis pelos ataques chegariam à Índia de barco.

Loyn disse que a revelação, em relatórios da polícia, de que os pertences pessoais de 15 homens foram encontrados a bordo de um barco abandonado de onde os ataques foram lançados, levantou a possibilidade de que nem todos os autores dos atentados foram encontrados.

Só dez militantes foram identificados - um deles foi capturado.

Segundo o correspondente da BBC em Nova Déli Sanjoy Majumder, a substituição de Shivraj Patil deve ser o primeiro passo de uma extensa revisão do sistema de segurança e inteligência da Índia.

Pressionado para explicar por que não conseguiu impedir os atentados, o governo convocou um encontro multipartidário para discutir novas medidas antiterroristas, como a possível criação de uma agência especial e a adoção de leis mais rigorosas para combater o terrorismo.

Paquistão
As autoridades paquistanesas voltaram a pedir que a Índia trabalhe com o Paquistão para derrotar o terrorismo, e disse que o grupo militante que realizou os ataques, o Deccan Mujahedin, até então desconhecido, não tem o apoio de nenhuma área do Estado paquistanês.

No sábado, as forças de segurança indianas mataram os últimos três atiradores que estavam no interior do prédio do hotel Taj Mahal Palace desde quarta-feira.

O vice-ministro do Interior indiano, Shakeel Ahmad, disse à BBC que quase todos os atiradores seriam paquistaneses treinados no Paquistão.

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, disse que seu governo vai cooperar integralmente com a Índia e prometeu agir duramente se receber qualquer prova de envolvimento de grupos ou indivíduos paquistaneses nos atentados.

O ministro do Exterior paquistanês, Shah Mahmood Qureshi classificou os ataques de "bárbaros".

Os ataques em Mumbai foram os piores na Índia desde que 200 pessoas foram mortas em uma série de explosões em 2006.

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