Multidões desafiam as temperaturas abaixo de zero para ver Obama passar

Frio? Que frio? Da Filadélfia a Washington, os admiradores de Barack Obama enfrentaram temperaturas negativas para saudar a passagem do trem do futuro presidente amerilcano e participar desse momento histórico.

Redação com agências internacionais |

"Aleluia, nós conseguimos!", diz um cartaz exibido enquanto o trem do novo presidente cruza lentamente a pequena cidade de Claymont (Delaware), logo depois de ter deixado a Filadélfia.

Ao longo do trajeto, cenas iguais se repetiam, com multidões entusiasmadas aclamando Barack Obama e agitando bandeiras americanas.

Em Baltimore, Nicole Harris, 32 anos, é uma das milhares de fãs do presidente que espera pacientemente sua chegada, apesar da temperatura abaixo de zero.

"Frio? Que frio?", pergunta ela, sorrindo, que chegou cedo para garantir um bom lugar. "Eu acho que ele é a pessoa certa para nos conduzir na direção certa". "Eu vim ver a História ser feita. Eu queria ver nosso primeiro presidente negro, aqui, em Baltimore", acrescentou.

Algumas pessoas tentam espantar o frio cantando e dançando nas ruas. Walter Massey, um professor de 54 anos, chegou às 04h30 da madrugada para não perder um momento sequer do que ele chamou de 'festa'. "Esse é um momento histórico de verdade", garantiu.


Milhares de pessoas foram às ruas para ver Obama / AP

Chegada a Washington

Obama chegou, neste sábado, no final da tarde, à estação de trem Union Station, em Washington, onde tomará posse, na próxima terça-feira, como o 44º presidente dos Estados Unidos.

Obama chegou à capital, após viajar de trem o dia inteiro, partindo da Filadélfia, fazendo as mesmas paradas que o presidente Abraham Lincoln, antes de sua posse, há um século e meio.

Milhares de partidários saudavam o trem, durante sua passagem por pequenas cidades e estações, e o presidente eleito animou, com seus discursos, as multidões que enfrentavam o frio.

Discurso antes da viagem

Antes de iniciar a viagem, Obama pronunciou um inspirador discurso no qual pediu que os americanos adotem uma "nova declaração de independência" . E não só para o país, mas para suas vidas, porque "a revolução americana foi e sempre será uma luta contínua".


Obama durante discurso que abrem as celebrações de sua posse

Obama estabeleceu paralelismos entre a situação atual e a que os fundadores dos EUA enfrentaram, e ressaltou que, neste momento, o país tem "uma economia que balança e duas guerras para vencer".

"Uma dessas guerras deve ser concluída de forma responsável, e na outra que é preciso ser inteligente. Além disso, temos um planeta que está se aquecendo por causa da dependência insustentável do petróleo", afirmou.

"Nossos problemas podem até ser novos, mas as soluções não são. O que precisamos é da mesma perseverança e idealismo que demonstraram nossos fundadores. O que precisamos é de uma nova Declaração de Independência, não só de nossa nação, mas de nossas próprias vidas.

Independência de ideologia, de pensamento, de preconceitos e de fanatismos ruins", assinalou.

O presidente eleito afirmou ainda que é preciso independência de "ideologia e pensamentos triviais, de preconceitos e de ódio". A nova independência deve ser "um chamado não aos nossos instintos mais baixos, mas a nossos melhores valores".

Encontro com o vice

Em Wilmington, no Delaware, Obama recebeu no trem o vice-presidente eleito , Joe Biden, e sua esposa, Jill.


Obama e Biden acenam para multidão / AP

Desafiando as gélidas temperaturas que não superam os 10 graus abaixo de zero, milhares de pessoas se aglomeraram em vários pontos do percurso para ver o trem presidencial passar.

Em um dos momentos mais emotivos da viagem, os moradores de Delaware espontaneamente cantaram "Parabéns" para Michelle Obama, que completa hoje 45 anos.

Em seu discurso em Delaware , onde foi ratificada a Constituição dos EUA, Obama destacou as histórias e lutas dos "heróis anônimos", como os operários que temem perder seus trabalhos.

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