Multidão recebe premiê da Turquia com bandeiras palestinas

Ancara, 30 jan (EFE).- O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, foi recebido hoje no aeroporto de Istambul por milhares de pessoas, algumas delas com bandeiras palestinas e turcas, após bater boca com o presidente de Israel, Shimon Peres, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

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Enquanto aguardava o Erdogan no aeroporto Atatürk, da cidade do Bósforo, a multidão entoava palavras de ordem como "A Turquia está orgulhosa de ti" e "Damos as boas-vindas ao líder do mundo".

"Dissemos que sempre respaldaremos princípios retos, que nos manteremos firmes defendendo o Direito. É o que corresponde à Turquia", disse Erdogan às pessoas reunidas no aeroporto.

Em entrevista coletiva posterior, Erdogan criticou o moderador, ao afirmar que Peres pôde expor seus pontos de vista durante 23 minutos "sem nenhuma interrupção" e que a ele só lhe deram 12 minutos, motivo pelo qual deixou o palanque do Fórum gritando que nunca mais voltaria a Davos.

"A forma com que Peres falou não se encaixa na maneira em que um presidente tem que falar. Foi insultante e elevou muito a voz.

Estava dizendo coisas que não eram corretas, e isso não posso aceitar", disse Erdogan.

No entanto, antes de receber o tempo para resposta no Fórum, Erdogan tentou interromper Peres, gritando "vocês estão assassinando pessoas!", enquanto o presidente israelense responsabilizava o grupo palestino Hamas pelas cerca de 1.400 e 5 mil mortes em Gaza, devido à ofensiva israelense ter respondido a ataques com foguetes da facção.

O Partido Republicano do Povo (CHP), principal da oposição turca, acusou Erdogan de atuar como porta-voz do Hamas.

"Ele se comportou como um porta-voz do Hamas. Na diplomacia não existe uma linguagem desse tipo, que debilitou o prestígio da Turquia. Para o mundo civilizado Erdogan está acabado", afirmou o vice-presidente do CHP e ex-diplomata Onur Oymen.

"Não posso falar com a linguagem que os diplomatas aposentados entendem. Eu venho da política. Não sou o líder de uma tribo. Sou o primeiro-ministro da República Turca. Ser suave não encaixa com nossa nação", respondeu Erdogan.

Na Turquia e nos países árabes, a maioria dos jornais e dos comentários populares foi de apoio à "fuga" de Erdogan.

Yousuf Al-Sherif, da televisão "Al Jazira" na Turquia, declarou à Agência Efe que Erdogan "conta com a simpatia do mundo árabe".

Porém, alguns analistas como Murat Yetkin, do jornal "Radikal", acham que a posição mediadora da Turquia no conflito do Oriente Médio se debilitou, porque sua força consistia em ter a capacidade de falar ao mesmo tempo com Israel, Irã e Síria.

Em relação a conflitos armados com larga contagem de mortos, a Turquia é frequentemente lembrada por não reconhecer a morte de 1,5 milhão de armênios entre 1915 e 1923 pelo Império Otomano, alegando que foram apenas 300 mil, durante uma guerra civil. EFE ll/jp

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