Mulheres-bomba atacam metrô de Moscou e matam 39

Dois ataques lançados nesta segunda-feira em estações de metrô de Lubyanka e Park Kultury, no centro de Moscou, deixaram pelo menos 39 mortos e mais de 60 feridos. Segundo as autoridades, os ataques teriam sido cometidos por duas mulheres-bomba vinculadas a grupos insurgentes islâmicos do Cáucaso.

iG São Paulo |

Os ataques foram os mais sangrentos já realizados na capital russa desde 2004, segundo o Ministério das Situações de Emergência.

AP
Bombeiros carregam corpo de estação de metrô Lubyanka

Bombeiros carregam corpo de estação de metrô Lubyanka

"Segundo as primeiras informações, as duas explosões foram feitas por mulheres-bomba", afirma um comunicado dos Serviço de Inteligência russos (FSB, antiga KGB). A notícia sobre as mulheres-bomba já havia sido antecipada pelo prefeito de Moscou, Iuri Lujkov.

Os atentados foram provavelmente executados por "grupos terroristas" vinculados aos insurgentes do Cáucaso, afirmou o diretor do FSB, Alexander Bortnikov. "Segundo a versão preliminar, os atentados foram realizados por grupos terroristas vinculados à região do Cáucaso Norte. Privilegiamos essa versão", declarou Bortnikov.

Os serviços de inteligência russos acreditam que as duas mulheres-bomba que detonaram explosivos nas estações do metrô moscovita eram naturais dessa região, uma parte da Rússia majoritariamente muçulmana, cenário de uma violenta insurgência nos últimos anos.

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou que o país continuará combatendo o terrorismo sem hesitar e ordenou um reforço da segurança nos transportes de toda a nação.

"A política de repressão do terror e de luta contra o terrorismo continuará. Prosseguiremos com as operações contra os terroristas sem hesitação e até o fim", afirmou Medvedev durante uma reunião de emergência convocada após os atentados.

"Tenho certeza de que as agências de segurança farão todo o possível para encontrar e punir os criminosos", afirmou o primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, durante uma visita à cidade siberiana de Krasnoyarsk. "Os terroristas serão aniquilados", completou.

Reuters
NONOJNO

Mulher chora enquanto forças de segurança bloqueiam sua passagem

Locais dos ataques

O primeiro atentado aconteceu às 7h57 locais (0h57 no horário de Brasília) em um vagão parado na estação Lubyanka.

O premiê, que suspendeu sua visita e voltará com urgência à capital russa, também manifestou a intenção de aprovar indenizações para as famílias das vítimas antes do fim do dia.

A Praça Lubyanka abriga a sede do FSB, sucessor da KGB soviética, que nesse edifício interrogava e eliminava os dissidentes na então União Soviética. O segundo atentado foi executado na estação Park Kultury às 8h40 locais  (1h40 de Brasília).

"Em Park Kultury, segundo dados preliminares, foi uma mulher-bomba. Segundo os fragmentos do corpo, que estão sendo examinados, o explosivo estava na altura da cintura. A situação é a a mesma em Lubyanka", disse o porta-voz do comitê de investigação do Ministério Público de Moscou, Vladimir Markin.

A polícia também procura duas mulheres que acompanharam as suicidas até o metrô, segundo fontes dos serviços de segurança.

Os atentados aconteceram em duas estações da mesma linha. As outras linhas do metrô de Moscou, que diariamente transporta 8,5 milhões de pessoas, permaneciam funcionando normalmente. Na Praça Lubyanka, os sobreviventes ligavam para os familiares para relatar o acontecido.

Reuters
Paramédicos conversam com sobrevivente de explosão perto da saída do metrô Park Kultury

Paramédicos conversam com sobrevivente de explosão


Moscou registrou nos últimos dez anos uma série de explosões mortais reivindicadas por militantes da causa chechena - uma república do Cáucaso -, mas nos últimos anos os atentados se tornaram menos frequentes.

O último ataque no metrô de Moscou aconteceu em 6 de fevereiro de 2004, entre as estações Avtozavodskaia e Pavelestakia, com um balanço de 41 mortos e 250 feridos.

Nos últimos meses, as tropas russas intensificaram as operações militares contra rebeldes islâmicos no Cáucaso Norte e mataram vários dirigentes rebeldes.

Reação internacional

As autoridades estrangeiras condenaram rapidamente os atentados. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou as ações de "atos monstruosos".

"O povo americano é solidário com a Rússia na oposição ao extremismo e aos atrozes atentados terroristas que demonstram tal indiferença à vida humana. Condenamos esses atos monstruosos", afirma Obama em um comunicado.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que "nada pode justificar tais ataques contra civis inocentes".

"A União Europeia (UE) apoia firmemente a Rússia no combate ao terrorismo sob todas as formas", declarou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

AP
Ferido é visto do lado de fora de uma das estações que foram alvo de ataques suicidas em Moscou

Ferido é visto do lado de fora de uma das estações de metrô


A chanceler alemã, Angela Merkel, disse ter recebido com "consternação e horror" a notícia, enquanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, condenou os atentados "odiosos e covardes".

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o chefe de Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também enviaram mensagens de condolências ao presidente Medvedev.

*Com informações da AFP

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