Nações Unidas, 1 abr (EFE).- As mulheres costumam escolher ter menos filhos se têm a possibilidade e os meios para optar, algo que muitas mães dos países menos desenvolvidos do mundo não têm, e que independe de culturas ou religiões, disseram hoje especialistas reunidos nas Nações Unidas.

"Quando uma pessoa ou um casal recebe a possibilidade e os meios para decidir quantos filhos quer ter, normalmente decide ter menos que o habitual", afirmou em entrevista coletiva a diretora da Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (Desa) da ONU, Hania Zlotnik.

A mexicana participa, junto a outros especialistas, na reunião mantida nestes dias pela Comissão para a População e Desenvolvimento das Nações Unidas.

"A falta de acesso a programas de planejamento familiar e métodos modernos contraceptivos são a principal causa da persistência de uma alta taxa de fertilidade", acrescentou Zlotnik.

Nesse mesmo sentido se pronunciou Jean-Pierre Guengant, do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento de Burkina Fasso, que explicou que a decisão pessoal de reduzir o número de filhos é independente de fatores culturais e religiosos.

O professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, David Canning, ressaltou que o rápido crescimento da população derivado, em parte, de uma alta fertilidade - além das migrações e da diminuição da mortalidade -, representa uma barreira para reduzir o nível de pobreza em um país.

"Diminuir a população através da queda da taxa de natalidade, em vez de através do aumento da mortalidade ou da restrição da imigração, é benéfico para a economia", explicou Canning.

Ele destacou que "a baixa natalidade aumenta a proporção de pessoas que estão em idade de trabalhar, graças à incorporação da mão-de-obra feminina, especialmente nas áreas urbanas dos países em desenvolvimento", o que, por sua vez, favorece o crescimento econômico. EFE mgl/db

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