KERBALA, Iraque (Reuters) - Uma mulher-bomba se explodiu em meio a uma multidão de peregrinos xiitas no Iraque nesta sexta-feira, matando 39 pessoas e ferindo 69 durante um dos mais importantes eventos religiosos do calendário muçulmano xiita, de acordo com a polícia. O ataque na rota de peregrinos em Iskandariya, 40 quilômetros ao sul da capital iraquiana, ocorreu um dia após uma bomba ter matado oito pessoas na cidade sagrada de Kerbala, para onde centenas de milhares de peregrinos estão se dirigindo para celebrar o Arbain, que marca o fim do período de lamentação após o aniversário da morte do Imam Hussein, neto do profeta Maomé que viveu no século 7o.

As celebrações do Arbain são alvo frequente de suspeitos suicidas islâmicos sunitas desde a invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2003.

"Ela se sentou entre as mulheres e se explodiu", disse Dhergham Ali, ao cobrir partes de corpos na estrada. A mulher-bomba se detonou em uma área onde peregrinos descansam de sua longa caminhada a Kerbala e recebem comida.

Alguns peregrinos, endurecidos pelos ataques de insurgentes nos últimos anos, disseram que as bombas não os deteriam.

"Viemos até aqui para a peregrinação. Nada nos deterá. Não estamos com medo. Passamos por situações piores no passado", disse Sadia Ali, 63 anos, moradora de Sadr City, bairro pobre de Bagdá.

Os ataques desta sexta-feira ocorreram apesar da segurança reforçada para a rota dos peregrinos. O número de tropas e policiais para patrulhar Kerbala foi reforçado de 5.000 para 30.000, de acordo com uma autoridade da cidade.

Cinco milhões de peregrinos foram a Kerbala, segundo o governador da província, Aqil al-Khazali. Este número não pôde ser comprovado.

Uma queda acentuada na violência que varreu o Iraque após a invasão ajudou aliados do presidente Nuri al-Maliki a obter no sul do país, de maioria xiita, vitórias arrasadoras nas eleições provinciais no mês passado.

Mas ataques suicidas e com carros-bomba permanecem comuns. Os ataques suicidas têm frequentemente a marca registrada de grupos islâmicos sunitas, como a Al Qaeda.

(Reportagem de Wisam Mohammed e Sami al-Jumaili)

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