Mulher que protesta contra o machismo na Itália completa 36 dias sem comer

Roma, 17 abr (EFE).- Wanda Montanelli, defensora da igualdade da mulher na sociedade italiana, completa hoje seu 36º dia de greve de fome em protesto contra o machismo político e midiático de seu país, segundo denunciou em entrevista coletiva.

EFE |

Montanelli, membro do partido Itália dos Valores (IDV), disse sentir-se relativamente bem fisicamente, mas "melhor de espírito" e afirmou estar "muito determinada" a continuar com seu protesto "até obter resultados".

Os médicos já aconselharam a transferência de Montanelli para um hospital caso continue sem comer.

A ativista, cujo caso tem recebido repercussão na mídia internacional, mas não na local, disse que seria o suficiente a realização de um debate televisivo em hora de grande audiência com o presidente de seu partido, o juiz Antonio Di Pietro, para que ele explique por que o IDV terá apenas três mulheres, talvez quatro, entre os 43 candidatos que obtiveram cadeira nas últimas eleições.

"Uma porcentagem de mulheres de entre 7% e 11%, o que torna seu partido particularmente machista", assegurou.

No entanto, os números não são muito melhores em outras formações políticas do país, onde não houve reação alguma às declarações do futuro primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, que disse que o novo Governo espanhol é "muito rosa", por ter maioria de ministras em seu gabinete.

Segundo a associação feminista italiana Arcidonne, nas últimas eleições foram escolhidas 188 deputadas e senadoras de 945 parlamentares, o que representa 19,8%, uma evolução de apenas 1,7% frente ao pleito anterior.

Trata-se de uma melhora que permitirá à Itália passar da 70ª colocação para a 50ª na classificação mundial, embora permaneça no último lugar da União Européia.

"O poder político na Itália é machista, porque os homens sabem que quando uma mulher dá um passo à frente, eles têm que dar um para atrás", explicou Montanelli.

A defensora dos direitos da mulher assegurou que a diferença entre a Itália e a Espanha é "abismal" e citou também a Noruega e a França como modelos a serem seguidos.

Para Montanelli, a falta de cobertura jornalística obedece também às estruturas machistas do poder na Itália e lembrou que quando foi um homem - Marco Panella (membro o Partido Radical) - que fez a greve de fome pela moratória da pena de morte no mundo, aí sim a mídia se interessou. EFE alg/fb

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