Mulher presa após ter sido estuprada é libertada no Afeganistão

Gulnaz havia sido condenada a 12 anos de prisão por adultério após ter sido abusada pelo marido de sua prima

iG São Paulo |

Uma mulher afegã, que estava presa por adultério depois de ter sido estuprada por um parente, foi libertada nesta quarta-feira depois que o presidente Hamid Karzai interviu em seu favor há duas semanas, informou a rede de TV CNN.

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A mulher, que é identificada apenas como Gulnaz para ter sua identidade preservada, tinha sido condenada a 12 anos de prisão depois de ter ficado grávida do marido de sua prima que a estuprou há dois anos. Nesta quarta-feira, ela estava livre em um abrigo feminino em Cabul, com sua filha.

O caso ganhou atenção internacional depois que a história de Gulnaz fez parte de um documentário europeu sobre mulheres afegãs presas pelos chamados "crimes morais". No entanto, a União Europeia proibiu o lançamento do filme, por temer que as mulheres perfiladas pelo filme poderiam se sair prejudicadas.

O ministro da Justiça afegão Habibullah Ghaleb e um comitê judiciário propuseram o perdão e Karzai, então, ordenou que as autoridades decretassem a soltura de Gulnaz.

No entanto, segundo o comunicado do presidente afegão divulgado há duas semanas, Gulnaz foi libertada sob a condição de se casar com o homem que a atacou para restaurar sua honra, além de legitimar sua filha.

Depois de ter sido estuprada há dois anos, Gulnaz escondeu o ocorrido o máximo que pôde, por medo de represálias. Porém, logo depois, ela começou a ter náuseas pela manhã e os sinais da gravidez começaram a ficar evidentes.

Ela foi condenada por um tribunal por ter feito sexo fora do casamento e, então, sentenciada a 12 anos. Ela tinha 19 anos de idade na ocasião. Ela teve sua filha com o estuprador dentro da prisão.

No início de novembro, Gulnaz disse à BBC que depois que ela falou sobre sua condenação por adultério. "No começo, minha sentença era de dois anos", disse. "Quande eu apelei, se tornou de 12 anos. Eu não fiz nada. Por que eu tenho que ficar presa por tanto tempo?"

Ela estava disposta a casar com o homem que a atacou para assim por fim ao seu cárcere, apesar de não fazer isso por vontade própria. Segundo sua advogada, Kimberly Motley, ela disse que queria casar com um homem educado.

Grupos de direitos humanos afirmam que centenas de mulheres presas no Afeganistão estão nessa situação por serem vítimas de estupro ou violência doméstica.

Com BBC

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